O USS Gerald R. Ford é considerado o porta-aviões mais moderno e caro do planeta / Wikipédia
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O USS Gerald R. Ford, considerado o porta-aviões mais moderno e caro do planeta, enfrenta um adversário inesperado em alto-mar: o próprio sistema de esgoto. Avaliada em cerca de 13 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 73 bilhões), a embarcação norte-americana utiliza sistemas eletromagnéticos avançados para lançar caças, mas tem falhado em uma tarefa básica: dar descarga.
Relatórios internos revelam que a tripulação trava uma batalha diária contra entupimentos crônicos que afetam os mais de 650 banheiros do navio.
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Com uma tripulação de aproximadamente 4.600 pessoas, a carga sobre a rede de saneamento é imensa. O problema reside no sistema de coleta a vácuo, uma tecnologia comum em cruzeiros, mas que se tornou um pesadelo logístico no porta-aviões.
Segundo documentos obtidos pela rádio pública norte-americana NPR, desde 2023 não houve um único dia em que as equipes de manutenção não tivessem que intervir para desobstruir canos ou realizar reparos emergenciais. Em dois anos, foram registrados 42 pedidos de assistência externa, a maioria ocorrendo no último ano.
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A Marinha dos Estados Unidos atribui a falha ao comportamento dos marinheiros, alegando que materiais inadequados são descartados no sistema. Para tentar manter o fluxo, as equipes de manutenção chegam a trabalhar 19 horas por dia.
Além disso, o acúmulo de cálcio nas tubulações exige limpezas com ácidos especiais que custam cerca de 400 mil dólares por operação. Estima-se que milhões de dólares já tenham sido gastos apenas para garantir que os banheiros continuem funcionando, um custo operacional que não estava previsto no orçamento multibilionário da embarcação.
Embora a situação pareça absurda para um navio de guerra de última geração, falhas em banheiros podem ser críticas. Historicamente, sistemas de saneamento defeituosos já causaram incidentes graves, como o naufrágio de um submarino alemão na Segunda Guerra Mundial após uma falha na descarga.
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No caso do Gerald R. Ford, o impasse levanta questões sobre o planejamento de infraestrutura básica em projetos militares de alta complexidade, onde a tecnologia de ponta nem sempre resolve problemas fundamentais do dia a dia.