Navio histórico que quase afundou em Santos pode virar escola flutuante

pós sofrer avaria no casco e adernar no cais, a icônica embarcação Professor W. Besnard será avaliada em estaleiro

O navio Professor W. Besnard poderá ganhar uma nova função após passar por avaliação estrutural/Reprodução

O navio de pesquisa Professor W. Besnard, que adernou em março próximo ao cais do Porto de Santos, poderá ganhar um novo destino após ser retirado da água. A Autoridade Portuária de Santos (APS) estuda a possibilidade de torná-lo um navio-escola voltado à formação e preservação da memória científica marítima brasileira.

Segundo a Autoridade Portuária, caso as condições técnicas permitam, a ideia é recuperar o navio com apoio de empresas ligadas ao porto e da comunidade marítima, transformando-o em um navio-escola voltado a atividades educativas e de formação profissional.

A operação para retirada e reflutuação do navio deve custar mais de R$ 8,6 milhões. O serviço fora realizado pela empresa Marfort Serviços Marítimos e inclui etapas como plano de mergulho, segurança operacional, içamento, metodologia de reflutuação, contenção de possíveis impactos ambientais e docagem da embarcação em estaleiro. A vigência do acordo é de seis meses.

Outra alternativa em análise é preservar parte da estrutura da embarcação como patrimônio histórico. Nesse cenário, o Professor W. Besnard poderia ser instalado na região do Valongo, no Centro Histórico de Santos, funcionando como espaço educativo ligado à memória da pesquisa oceanográfica brasileira.

O que motivou a situação?

O navio Professor W. Besnard ficou parcialmente submerso e adernado após o acúmulo de água da chuva e a entrada de água do canal do Porto de Santos. O Instituto do Mar (Imar) relatou que uma bomba externa de sucção não pôde ser acionada porque os cabos de energia de um ponto de luz cedido pela Prefeitura de Santos foram furtados.

À época, a APS priorizou a segurança da navegação no canal do porto. A previsão era que o navio fosse suspenso e encaminhado a um estaleiro, onde passaria por avaliações técnicas para determinar suas condições estruturais.

A Marinha do Brasil alegou que a embarcação não oferecia risco iminente à navegação, pois estava assentada ao leito e permaneceu amarrada ao cais. Ainda assim, a APS implementou medidas e instalou barreiras de contenção no mar para evitar acidentes ambientais por vazamento de óleo para o estuário.

História do navio

Fabricado na Dinamarca em 1966 e incorporado ao Brasil no ano seguinte, o Professor Besnard foi o primeiro navio brasileiro a participar de operações científicas na Antártida.

Naquele período, o Uruguai também demonstrou interesse em receber a embarcação por meio de doação, enquanto a prefeitura santista estudava alternativas para transformar o navio em atração histórica e cultural ligada à vocação marítima da cidade.

O Professor W. Besnard é considerado um dos mais importantes laboratórios científicos flutuantes do país. O navio participou de mais de 150 expedições oceanográficas e integrou missões brasileiras na Antártida, transportando pesquisadores em estudos sobre clima, biodiversidade marinha e oceanografia.

Atualmente fora de operação, o navio de pesquisa com quase 60 anos de história pertence ao Instituto do Mar (Imar), associação civil sem fins lucrativos responsável pela embarcação desde sua desativação.

Projeto antigo de preservação

Não é a primeira vez que o futuro do Professor W. Besnard mobiliza propostas de preservação em Santos. Em 2014, quando o navio já estava desativado e apresentava sinais de deterioração, a embarcação chegou a ser cogitada como museu náutico da cidade.

Na época, a Prefeitura de Santos mantinha conversas com a Universidade de São Paulo (USP) para tentar manter o navio de pesquisas no município. O alto custo de manutenção, porém, dificultava os planos de preservação.