Cotidiano

'Não somos os únicos': Estudo com primata prova que animais também conseguem imaginar

Teste com o famoso bonobo Kanzi revela que esses animais interagem com objetos inexistentes

Luna Almeida

Publicado em 13/02/2026 às 08:02

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O experimento foi realizado com Kanzi, um bonobo que morreu aos 44 anos / Divulgação/San Diego Zoo

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Uma habilidade frequentemente associada apenas aos seres humanos pode ter raízes muito mais antigas do que se imaginava. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, identificaram indícios de que bonobos, parentes evolutivos próximos dos humanos, também demonstram capacidade de imaginar situações que não estão presentes na realidade.

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O experimento foi realizado com Kanzi, um bonobo que morreu aos 44 anos e era conhecido por suas habilidades cognitivas. Os resultados foram publicados na revista científica Science e sugerem que a imaginação pode não ser uma exclusividade da espécie humana.

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O teste dos copos e do suco imaginário

No estudo, os pesquisadores apresentaram a Kanzi dois copos, sendo que um deles continha suco. O animal foi treinado para apontar para o copo correto e recebia recompensa quando acertava.

Depois dessa etapa, os cientistas colocaram dois copos vazios diante do bonobo e simularam o ato de despejar suco em apenas um deles. Mesmo sem líquido real, Kanzi apontou para o copo "cheio" em 34 das 50 tentativas, desempenho considerado superior ao que seria esperado por puro acaso.

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Diferentemente da fase anterior, não houve recompensa nessa etapa, o que levou os pesquisadores a descartar a hipótese de que ele estivesse apenas reagindo em busca de prêmio ou interpretando movimentos físicos específicos dos cientistas.

Uva invisível e raízes evolutivas

Em outro teste, o bonobo também conseguiu, após repetidas tentativas, identificar a posição de uma uva que apenas era sugerida, mas não estava fisicamente presente.

Para a equipe responsável pelo estudo, os resultados indicam que a capacidade de imaginar objetos e situações inexistentes pode ter origem anterior ao surgimento dos humanos modernos. 

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Segundo a bióloga Amalia Bastos, que liderou a pesquisa, o fato de essa habilidade também aparecer em bonobos sugere que ela já poderia estar presente no ancestral comum das duas espécies.

Essa origem compartilhada situaria o surgimento da imaginação em algum ponto entre 6 e 9 milhões de anos atrás, período estimado para a divergência evolutiva entre humanos e bonobos.

Embora o estudo não afirme que a imaginação dos bonobos seja idêntica à humana, os dados apontam que essa habilidade pode ter se desenvolvido muito antes do que se pensava, ampliando o debate sobre as origens cognitivas da nossa espécie.

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