'Não há políticas públicas para a Zona Noroeste', afirma Marquito

O jornalista e sindicalista afirma que é preciso um olhar diferenciado para Santos

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26 MAR 2018Por Carlos Ratton16h43
Marquito afirmou que 'não há políticas públicas para a Zona Noroeste'Foto: Rodrigo Montaldi/DL

Após ter assumido, por duas sessões, a lugar da vereadora Telma de Souza (PT), o jornalista e sindicalista Marcos Sérgio Duarte, o Marquito (PC do B), afirma que é preciso um olhar diferenciado para Santos, confira os principais trechos da entrevista:

Diário – Deu tempo para alguma coisa?

Marcos Sérgio Duarte (Marquito) – Suficiente para que pudéssemos falar sobre os 96 anos do partido mais antigo em atividade no País, comemorados no último domingo. Também encaminhei alguns requerimentos, indicações e projetos de lei, que acredito serem importantes para o Município.

Diário – Num passado não muito distante, durante as ditaduras, o PC do B jamais teria um representante no parlamento. Certo?

Marquito – Sim. O partido sempre lutou pelas causas operárias e sociais. Elegeu Luiz Carlos Prestes senador em 1946 e deputados. No entanto, o partido acabou caindo na clandestinidade por quase 60 anos. Com a redemocratização do País, em 1985, voltamos ao cenário político nacional.

Diário – O partido tem como pré-candidata a presidente a ex-deputada federal e jornalista Manuela d'Ávila.

Marquito – Exatamente. O PC do B sempre foi aliado do PT, mas em função do recente golpe parlamentar, resolvemos ter um nome na disputa para tentar recompor as forças democráticas e populares brasileiras.

Diário – Essa onda conservadora prospera?

Marquito – Vai continuar por um tempo. O golpe foi muito bem pensado e dado. Veio para se consolidar. A extrema direita estava enterrada e hoje se coloca, inclusive, entre os jovens, principalmente os que não buscam informações sobre o passado, mesmo tendo em suas mãos a Internet. Por incrível que pareça, muitos recebem informação que lhe é mais simpática sem checar e as toma como verdade absoluta. Chegam a confundir socialismo, comunismo e nazismo. Há uma divisão entre esquerda e direita, sem discussão, que não está levando a nada. É preciso tirar o país da crise institucional, política e econômica que ele se encontra.

Diário – Em Santos, o partido tem se renovado.

Marquito – Em 2016, lançamos a prefeita a Carina Vitral. A Direção Municipal vem sendo conduzida por Thiago Andrade e Nicole Mendes. É a juventude do partido ocupando espaços.    

Diário – Como você avalia o Legislativo Santista?

Marquito – Historicamente, sempre teve posições firmes. Agora, não é muito diferente. Mas, até por conta de sua composição, não há oposição firme ao Executivo. Neste sentido, eu me preocupo muito com algumas questões relacionadas à geração de empregos. Não há políticas públicas essa área e nem para a de habitação, turismo e nem para a Zona Noroeste.

Diário – Há duas Santos?

Marquito – Se você for à Zona Noroeste vai perceber que a região não possui universidade, banco, cartório, Poupatempo, correio, agências de serviços fundamentais, enfim, nada que atenda às necessidades básicas e essenciais. Para reclamar de uma conta de água ou luz é preciso se dirigir ao Centro ou Gonzaga. Para resolver parte da mobilidade urbana, é preciso levar serviços essenciais à Zona Noroeste, carente também de opções culturais e esportivas.

Diário – Falta o braço do Estado?

Marquito – O poder público tem que agir. Caso contrário, a população da Zona Noroeste continuará nas mãos do poder paralelo (crime). A região dos morros e do Caruara (área continental) também. Quando falta medicamento, o cidadão acaba sendo seduzido pelos criminosos. O Centro de Santos também está largado e não existe uma política de preservação histórica voltada ao turismo. Os bondes mostram destroços de prédios. É preciso de oficinas culturais e de qualificação profissional para jovens.

Diário – O PSDB está governando o Estado quase 25 anos. Isso é bom?

Marquito – É ruim. Tudo que permanece muito tempo é ruim. Estamos nas mãos do PSDB há 24 anos. A máquina está ocupada em quase toda sua totalidade por pessoas ligadas ao partido. O PC do B está em tratativas para apoiar a pré-candidatura de Márcio França (PSB) justamente na perspectiva de uma mudança de continuidade do governo tucano no Estado de São Paulo. Além de ser da região, o partido está percebendo que ele (França) tem qualificação e preparo político para melhorar o que está aí. Tem coisas boas que merecem continuar, como o Bom Prato, e outras têm que mudar, principalmente na Saúde, Educação e Segurança Pública. O governo tucano faz muita propaganda. É preciso colocar o dedo na ferida. O Condesb, por exemplo, não funciona por falta de condições.

Diário – Se você permanecesse mais tempo no Legislativo, quais seriam suas ações?

Marquito – Atuaria muito na área social, geração de emprego e fomento ao turismo. Também fomentaria a política habitacional. Muitos santistas estão indo embora da cidade para morar em São Vicente e Praia Grande. Temos a maior área de palafitas da América do Sul. Precisamos criar condições de combate a incêndios e enchentes.