Na Baixada, apenas Santos e Peruíbe ainda não vacinam lactantes

Estudos comprovaram que os anticorpos contra a covid-19 gerados pelas mulheres vacinadas passam para seus filhos através do leite materno

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23 JUN 2021Por Vanessa Pimentel11h34
Sem poder usar máscara, bebês ficam mais suscetíveis ao vírus, até mesmo em idas rotineiras ao pediatra. Sem poder usar máscara, bebês ficam mais suscetíveis ao vírus, até mesmo em idas rotineiras ao pediatra. Foto: Diego Marchi / Prefeitura Municipal de Guarujá

Das nove cidades da Baixada Santista, apenas Santos e Peruíbe não estão vacinando as lactantes (mães que amamentam). A luta pela inclusão desse público no grupo prioritário começou em maio, quando estudos comprovaram que os anticorpos contra a covid-19 gerados pelas mulheres vacinadas passam para seus filhos através do leite materno. 

Um movimento chamado Lactantes Pela Vacina foi criado nas redes sociais para pressionar governadores e prefeitos, ação que vem dando certo em muitos municípios por todo o País, já que o Plano Nacional de Imunização (PNI) pode ser ajustado de acordo com a realidade de cada cidade.

No Estado de São Paulo, ao menos 21 municípios já vacinam as mães que amamentam, mesmo sem comorbidades. Na região, Bertioga, Cubatão, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, São Vicente e Guarujá também incluíram as lactantes no grupo que já pode se vacinar. 

Questionada, a Prefeitura de Santos informou que não há previsão de incluir as lactantes porque a cidade registra uma boa adesão da população à campanha de vacinação contra a covid-19. Disse também que as doses enviadas são suficientes para aplicação apenas nos públicos estabelecidos pelo Governo do Estado. 

"A inclusão de lactantes dependeria da chegada de vacinas específicas para este público, o que neste momento não é possível, uma vez que não foi incluído no Plano Estadual de Imunização", informou em nota. Já as gestantes e puérperas (até 45 dias pós parto) seguem sendo vacinadas.

Em São Paulo, as lactantes podem se cadastrar na xepa (sobra no fim do dia), o que agiliza a vacinação dessa parcela da população. Em Santos não há essa possibilidade. 

VEREADORAS. 

A vereadora santista Telma de Souza protocolou um requerimento na Câmara, no início deste mês, solicitando a inclusão das lactantes no grupo prioritário da vacinação. O documento foi encaminhando ao Executivo, mas ainda não houve retorno. 

"A inclusão de grávidas, puérperas e lactantes sem comorbidades no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19 é mais que justa. A proposta foi apresentada ao nosso mandato pela OAB Santos e, também, pelo Movimento Mães Lactantes de Santos, é reconhecida pelos órgãos de Saúde e há um projeto de lei com teor similar do companheiro e deputado federal, Alexandre Padilha, em tramitação", explicou Telma. 

Já a vereadora Audrey Kleys participou de uma live com o movimento, no dia 19 de junho, e informou que foram enviados ofícios à Secretaria de Saúde solicitando mais doses do imunizante, já que não há sobra em Santos, e por isso ainda não há como incluir novos públicos. 

SENADO. 

O Senado também aprovou, em 15 de junho, o Projeto de Lei (PL 2112/2021), que inclui todas as gestantes, puérperas e mães que estão amamentando nas prioridades de vacinação contra a Covid. O PL segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

INTERNAÇÕES. 

O número de casos de Covid em bebês e crianças vem crescendo no país. A primeira criança vítima de covid-19 do estado de SP foi uma bebê de sete meses, que morreu no dia 25 de abril, na Capital. 

Santos também já registrou a morte por covid de uma bebê de 5 meses, no mês passado. 

A bebê precisou ser intubada porque estava com 80% dos pulmões comprometidos, houve complicações e ela faleceu após uma parada cardíaca. 

Sem poder usar máscara, bebês ficam mais suscetíveis ao vírus, até mesmo em idas rotineiras ao pediatra.