Museu Pelé pode ficar no escuro

Administradora do equipamento, a AMA Brasil garante que não há previsão de corte de luz

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22 MAI 201510h29

Depois do Diário do Litoral ter denunciado que as contas do Museu Pelé, em Santos, só fecham no vermelho desde sua inauguração, mais um problema envolvendo as finanças do equipamento vem à tona. Agora os administradores do Museu negociam, com a CPFL, contas atrasadas, caso contrário o mesmo poderá ficar às escuras.

A confirmação de que há entendimentos entre as partes foi feita pela própria concessionária de energia da Cidade, que em nota, se manifestou: “a CPFL Piratininga informa que está em negociações com o Museu Pelé, em Santos, para regularizar a situação”.

Contatada, a Prefeitura de Santos informou, por telefone, que a questão teria de ser tratada com a AMA Brasil, responsável pelo museu. Depois, em nota, garantiu que a informação não procedia. Respondendo ao questionamento da Reportagem, a AMA Brasil disse que não há previsão de corte de luz.

No vermelho desde que foi inaugurado, equipamento corre risco de ficar às escuras (Foto: Matheus Tagé/ DL)

Primeiro

O Diário foi o primeiro veículo a publicar que o Museu Pelé trabalha no vermelho, em 30 de setembro de 2014. O equipamento apontava um déficit mensal na época de R$ 70 mil.

Sequer o nome de Edson Arantes do Nascimento, Pelé, foi o bastante para superar as peripécias aquáticas do leão marinho do Aquário de Santos, que apontava um número maior de frequentadores, segundo revelou na ocasião a Secretaria de Turismo da Cidade.

O Rei do Futebol perdeu até para as flores e animais de pequeno porte que habitam o Orquidário, outra grande atração do Município. No período em que todos os olhos estavam voltados ao mundo do futebol, ou seja, em plena Copa do Mundo, o equipamento do bairro do José Menino também apontou frequência maior do que o museu.

Ministério Público

Ainda conforme publicado pelo Diário, o Museu Pelé também se encontra na mira do Ministério Público Estadual (MPE). A Promotoria de Justiça Cível de Santos aponta eventual improbidade administrativa decorrente de falhas e superfaturamento na contratação e na execução do contrato entre a AMA Brasil e a Administração Municipal para as obras de recuperação do Casarão do Valongo que abriga o Museu. A obra custou R$ 50 milhões.

O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) foi notificado sobre o inquérito e solicitou o cronograma de prestação de contas do contrato para as obras e gerenciamento do Museu Pelé. A denúncia partiu de representação do vereador Antonio Carlos Banha Joaquim (PMDB) ao MPE, baseado em uma reportagem do Diário sobre o déficit.

O empreendimento contou com grande destinação de verbas do Município, Estado e União, além da doação de empresários e empresas de grande porte para a consecução da reforma e gestão do museu. Na representação, o vereador ressalta que requereu informações à Prefeitura e não obteve resposta.