Munícipe de Santos relata descaso no atendimento do PS Central

A microempresária Vera Moraes voltou para casa sem assistência após horas de espera

“É muito descaso dos nossos governantes. É revoltante. É vergonhoso”. O desabafo é da microempresária Vera Moraes, moradora da Vila Mathias, que esta semana resolveu utilizar as redes sociais para mostrar a verdadeira batalha travada por moradores de Santos e até da região para serem atendidos no Pronto-socorro Central, ao lado da Santa Casa de Misericórdia de Santos.

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Segundo conta, após acordar com a pálpebra do olho direito inchada, avermelhada, resolveu buscar ajuda médica no equipamento. Era meio-dia e, às 16 horas, ainda no PS, Vera teve que buscar uma cadeira de rodas para um homem que chegou com dificuldades para andar, pois não havia nenhum funcionário para prestar esse serviço.

“Com a ajuda de uma funcionária da limpeza, percorri os corredores e as instalações internas do PS. Constatei que não há cadeira de rodas para os pacientes. Durante esse percurso, pude verificar que as dezenas de pessoas que já haviam sido chamadas, antes de mim, estavam em uma segunda sala de espera. Outras, estavam com soro fincado na veia e segurando o líquido acima da cabeça e em pé, aguardando em fila indiana para um atendimento na sala do médico plantonista”, relata a microempresária.

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Após conversar com outros pacientes, Vera se surpreendeu ao descobrir que o tempo médio de espera no equipamento é de seis a nove horas. Ela revela que foi embora sem atendimento. “Não tenho estrutura emocional para tamanha afronta. Essa é a terceira vez que não consigo ser atendida nesse PS. Farei automedicação e tentarei uma consulta na policlínica da Vila Mathias”, postou.

Prefeitura

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A Prefeitura de Santos, por intermédio da assessoria de imprensa, informa que “por conta do grande número de turistas na cidade e a carência e precariedade de pronto atendimento nos municípios vizinhos, o PS Central tem tido um atendimento sobrecarregado.

Também esclarece que as cadeiras de rodas são periodicamente repostas, quando existe necessidade de troca. Com relação ao relato da paciente, informa que desde fevereiro de 2014, o PS Central adota a classificação de risco por quatro níveis, ou seja, são prioridades os casos de maior risco.

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PS Central já foi denunciado no ano passado

Os problemas de atendimento no PS Central chegaram ao seu ponto máximo em agosto do ano passado, quando o Diário do Litoral publicou, em primeira mão, a reportagem: “Vereador denuncia bactéria letal na UTI”. Evaldo Stanislau (Rede) se referia a Carbapenase (KPCs) – uma enzima da bactéria que impede que os remédios façam efeito.

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Ele descobriu a situação pessoalmente após ser alertado por equipes que trabalhavam no equipamento. Constatou, na ocasião, que além de remédios prescritos não serem comprados, faltavam regras de operações para lidar com infecções e de mecanismos de proteção para evitar as cruzadas; manual de rotinas para precauções e controle de infecções e a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) operacional – que é obrigatório por intermédio da Portaria Ministerial 2.616/98.

Ainda descobriu falta de insumos básicos; de equipamentos (estetoscópios, termômetros e outros); documentos de rotina e procedimentos padronizados para higienização de circuitos respiratórios e equipes incompletas de enfermagem. Conforme Calvo, na época, tudo estava sendo avaliado pela sindicância. 

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O caso gerou abertura de inquérito policial pela delegada Daniela Perez Lázaro, do 2º Distrito Policial de Santos – sobre a possibilidade de ter ocorrido crime de homicídio causado por negligência; inquérito civil pela Promotoria de Justiça de Saúde Pública de Santos e uma audiência pública na Câmara.

Dias depois, a Prefeitura de Santos apresentou o resultado parcial da sindicância que apurou as duas mortes dando conta que os óbitos não ocorreram por conta da infecção pela bactéria produtora. No entanto, reconheceu que um dos pacientes não recebeu medicação prescrita pelos médicos, durante o tratamento no equipamento, cujas internações foram suspensas temporariamente.