Multas da Cetesb não vão para o meio ambiente

Em quinze meses, região sofreu impacto de quatro desastres ambientais; valor arrecadado com as penalidades chega a R$ 26,8 milhões

Localizada em uma região que abriga o maior Porto da América Latina e um dos mais produtivos polos industriais do País, a segurança da Baixada Santista foi colocada à prova nos últimos quinze meses. Durante esse período, quatro acidentes em fábricas e indústrias localizadas na região provocaram danos significativos ao meio ambiente.

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Embora as empresas responsáveis pelos desequilíbrios tenham recebido multas milionárias da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), os valores pagos não são revertidos diretamente para a recuperação ambiental das áreas afetadas. De acordo com o órgão, o montante arrecadado é direcionado para a Secretaria da Fazenda que repassa à CETESB para capacitação de seus funcionários e da infraestrutura da empresa.

A Cetesb afirma ainda que a aplicação do dinheiro nas áreas afetadas acontece de forma indireta, através da capacitação de técnicos e equipamentos que permitem melhorar o atendimento à população. O valor arrecadado em multas, apenas nos últimos quinze meses, gira em torno de R$ 26,8 milhões (ver quadro abaixo).

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Na última quarta-feira (6) o Diário do Litoral publicou uma reportagem sobre o desastre ambiental provocado no Rio Cubatão durante o incêndio dos tanques da Ultracargo no ano passado. Os pescadores afirmaram que nenhuma reparação ambiental foi promovida na Vila dos Pescadores, comunidade mais atingida pelo acidente e que ainda sofre com os impactos da degradação do manguezal e do ecossistema atingido.

De acordo com a promotora Flávia Maria Gonçalves, do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio ambiente (GAEMA), a constatação da Cetesb sobre a mortandade de animais marinhos foi a baixa oxigenação água. No entanto, o órgão não fez um estudo sobre uma possível contaminação, o que prejudicou ainda mais a comunidade que tem na pesca sua principal fonte de renda.

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Penalidades somam R$ 26,8 milhões

Em quinze meses, quatro acidentes em indústrias da Baixada Santista impactaram o meio ambiente.
Parte do Polo Industrial de Cubatão precisou ser evacuado após o vazamento de dióxido de enxofre (SO2) da fábrica de fertilizantes Anglo American Fosfatos Brasil, em janeiro de 2015. O vazamento propiciou a formação de uma chuva ácida que causou danos na vegetação da área atingida. A empresa foi multada em R$ 212.500,00.

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Em abril do ano passado um incêndio atingiu seis tanques de combustíveis da empresa Ultracargo, em Santos. A empresa foi multada por lançar efluentes líquidos no estuário de Santos, em manguezais e na lagoa contígua ao terminal, e emitir efluentes gasosos na atmosfera, além de provocar a mortandade de milhares de peixes.  A Ultracargo pagou R$16 milhões para a Cetesb.

Em janeiro de 2016 a Localfrio S.A. Armazéns Gerais Frigoríficos foi multada no valor de R$10 milhões por emitir poluentes (gases tóxicos) na atmosfera, em decorrência de um incêndio em contêineres com produtos químicos no Guarujá. Os poluentes atingiram áreas residenciais, comerciais, industriais e portuárias nos municípios de Guarujá, Santos, São Vicente e Cubatão, tornando o ar impróprio, nocivo e ofensivo à saúde.

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Em março, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aplicou uma multa de R$ 600 mil a Petrobras Transporte S/A – Transpetro pelo vazamento de petróleo no rio Cubatão, em Cubatão. O acidente provocou a paralisação da Estação de Tratamento de Água da Sabesp, que é responsável pela distribuição de água em pelo menos metade da Baixada Santista, além da emissão de substância odorífera na atmosfera, principalmente no bairro Jardim Costa e Silva, provocando incômodos ao bem estar público.