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Mulheres são mais questionadas em relação a filhos em entrevistas de emprego

Pesquisa mostra quais questionamentos são feitos a mulheres e homens que se candidatam a vagas

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17 MAR 2019Por Vanessa Pimentel07h33
O levantamento aponta ainda outras informações referentes ao assédio, qualificação e liderançaFoto: Nair Bueno/DL

A Workana, plataforma que une profissionais freelancers a possíveis clientes, realizou uma pesquisa sobre quais questionamentos são feitos a mulheres e homens que se candidatam a vagas de emprego, tanto as convencionais quanto as oferecidas no mercado freelance.

Os dados revelam que no caso das oportunidades freelance, a desigualdade de gênero é menor do que no mercado convencional. Por exemplo, quando a entrevista é para uma vaga formal, 87% das mulheres disseram ter sido questionadas a respeito de filhos, enquanto em uma negociação freelancer, 82% das entrevistadas afirmaram que, para o contratante, ter ou não filhos não foi um ponto considerado.

Mais um dado importante é a ainda pequena porcentagem de mulheres na área de TI e programação, com apenas 8%, enquanto homens são 43%. No quesito remuneração, 16% dos homens ganham acima dos R$ 4 mil, já as mulheres são somente 8%. A pesquisa aponta, ainda, outras informações referentes ao assédio, qualificação e mulheres na liderança. Confira a entrevista com Guillermo Bracciaforte, cofundador da Workana.

DL - De acordo com a pesquisa, a desigualdade de gênero para mulheres no mercado de trabalho freelance é menor do que no mercado convencional. Por que isso acontece?

Guillermo - Isso se dá porque no trabalho freelance o grande foco é o trabalho realizado, até mesmo na entrevista prévia à realização do projeto. Por isso, a maioria dos contratantes não levam o gênero em consideração em suas contratações remotas, muito menos a maternidade, entre outros aspectos.

DL - A pergunta sobre filhos é feita mais para mulheres do que para homens em entrevistas. Isso pode ser classificado como machismo? E se a candidata se sentir desrespeitada, como deve agir?

Guillermo - Sim, pode-se dizer que é uma forma de machismo, mas o importante neste caso é o respeito à família. Tanto homens quanto mulheres deveriam ser respeitados e ter as mesmas oportunidades tendo filhos ou não, isso não deveria influenciar tanto o resultado de uma entrevista de emprego. Caso a candidata se sinta desrespeitada, é importante que tente se impor e dizer como se sentiu, de maneira respeitosa e tranquila. Além disso, seria uma boa oportunidade para a candidata expor ao entrevistador por que a maternidade não atrapalha o trabalho e porque isso não deveria ser um ponto importante para ele durante a entrevista. Uma boa comunicação é a chave.

DL - O número de freelancers, tanto para homens quanto para mulheres, é maior do que os que trabalham em empregos formais. Isto é tendência para os próximos anos?

Guillermo - Sim, o trabalho freelance vem crescendo a passos largos no mundo inteiro, acompanhamos este crescimento forte na América Latina, principalmente no Brasil. Na Workana, 50% dos usuários são do Brasil, e os números não param de crescer porque os profissionais de hoje querem trabalhar com mais liberdade, autonomia e flexibilidade, podendo ter controle sobre sua própria carreira.

DL - Mais um dado importante é a ainda pequena porcentagem de mulheres na área de TI e programação, com apenas 8%, enquanto homens são 43%. Acha que este cenário pode mudar no futuro?

Guillermo - Já está mudando. Além das mulheres, que estão se animando a estudar programação, vemos que há muito incentivo por parte de ONGs para que cada vez mais mulheres se tornem programadoras, até mesmo oferecendo cursos de graça. Nós vemos essa tendência e queremos fazer parte. Na Argentina, iremos realizar um evento no dia 16 de março em que mulheres terão um dia de formação para aprender a linguagem de programação Vue Js, workshop oferecido pela ONG Vue Vixens, que está presente em vários países, inclusive no Brasil. Neste mesmo dia, a Workana irá oferecer um curso sobre como ser freelancer, para que as mulheres saiam do workshop aptas a trabalhar como freelance em projetos de Vue Js.

DL - Mulheres se formam mais no Ensino Superior (34%) do que homens (30%). Mesmo assim, 16% dos homens ganham acima dos R$ 4 mil, já as mulheres são somente 8%. Por que isso ainda acontece?

Guillermo - Porque notamos que os homens têm maior presença em áreas de atuação com maior ticket médio, como TI e programação. Enquanto houver menos presença feminina em áreas como programação e design, esta diferença no trabalho freelance ainda existirá, mas vemos que este quadro já está mudando. Esperamos ver mais igualdade nas categorias de trabalho nos próximos anos.

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