Mulheres da Zona Noroeste pedem auxílio emergencial à Prefeitura de Santos

Ampliação do Programa de Renda Básica Nossa Família, com auxílios que variam de R$ 120,00 a 240,00, ainda não resolve

O Movimento de Mulheres da Zona Noroeste fez uma manifestação pública ontem, às 15 horas, em frente à Prefeitura de Santos e entregou um abaixo assinado que reivindica R$ 600,00 de auxílio emergencial municipal, para aplacar a situação dramática de centenas de munícipes na região de maior vulnerabilidade social de Santos, durante a pandemia de coronavírus.

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Segundo o grupo que esteve em frente ao Paço, a ampliação do Programa de Renda Básica Nossa Família, que está atendendo mais de 4,9 mil famílias em situação de pobreza, com auxílios que variam de R$ 120,00 a R$ 240,00, de acordo com a quantidade de filhos, não está sendo suficiente. O programa foi instituído pelo prefeito Rogério Santos (PSDB), junto com um pacote medidas sociais, visando minimizar a situação econômica e de saúde pública instaurada pela Covid-19.   

Leia Siqueira, da Central dos Movimentos Populares (CMP) da Vila Gilda, que estava entre as lideranças do movimento de ontem, informou que é preciso que se estabeleça um valor fixo e que ele seja ampliado para dezenas de famílias que não estão conseguindo ter acesso ao programa municipal por falhas no sistema de adesão.

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“Não temos vacina suficiente que permitiria mais segurança na busca de trabalho. O auxílio de até R$ 240,00 acaba em julho e ainda é insuficiente. Muitos não conseguiram se inscrever por pouca divulgação e falta de Internet. O cartão que garantia compra de mantimentos básicos foi cortado. As famílias estão passando fome e não têm dinheiro sequer para comprar os remédios que as policlínicas não estão fornecendo para outras enfermidades”, explica Leia.

Para a líder comunitária, o momento é de ajudar as comunidades vulneráveis e buscar recursos para ampliar os auxílios emergenciais e não para reformar equipamentos de lazer que ficam na praia e que foram demolidos sem necessidade.  “A Administração poderia e pode dar mais. Quem pretende gastar R$ 14 milhões para recompor o emissário submarino, pode conseguir recursos para ampliar o valor do repasse emergencial e a quantidade de pessoas assistidas na Zona Noroeste”, opina.

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Renilda Almeida da Fonseca, líder comunitária do Jardim São Manoel, confirma que a área da saúde do bairro está deficitária. Segundo ela, além dos problemas de subsistência em função da pandemia, medicamentos são entregues em pouca quantidade, não satisfazendo as necessidades do bairro; há desavenças entre profissionais na unidade da saúde que está prejudicando o atendimento e a escola local tem problemas estruturais. “A situação é caótica. Portanto, toda ajuda emergencial é benvinda”, afirma. 

REPORTAGEM.

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Em 26 de março último, o Diário publicou a reportagem intitulada “Fome chega à periferia de Santos” mostrando a realidade centenas de pessoas que estavam e, parece que continuam, sem opções pela falta de um programa eficaz de assistência social, realizado por todas as esferas de governo – Federal, Estadual e Municipal.

Na ocasião, já havia sido alertado que a fome estava batendo às portas e era preciso urgente uma ação local emergencial, pois muitos santistas, que moram bem longe do maior jardim de praia do Mundo, estão sem comida e sem trabalho e passando por situações desumanas.

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Ontem, Leia informou que os centros de Referência de Assistência Social (CRAS), responsáveis por fornecer cestas básicas às famílias em vulnerabilidade social, continuam não conseguindo atender a demanda. A situação de quem mora em palafitas – maior concentração de moradores nessas condições da América Latina – é deprimente. 

Antes mesmo de mostrar a dura realidade, algumas entidades já estavam se mobilizando para aplacar a fome, como a Associação de Moradores do Caminho São Manoel e a Comissão União dos Desempregados, que estão proporcionando jantas comunitárias, iniciativa que conta com a colaboração de pessoas físicas e jurídicas (empresas), incluindo entidades sindicais. 

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PREFEITURA.

Procurada, a Prefeitura explica que atende as famílias em situação de vulnerabilidade social nos oito Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), conforme detalhado abaixo, e implantou várias ações atender esses munícipes durante a pandemia.

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Em abril desse ano, devido ao agravamento dos impactos da pandemia, a Prefeitura criou o Auxílio Emergencial Municipal, cuja primeira parcela começou a ser paga na última sexta-feira (30). O benefício – de valor superior ao atual auxílio emergencial federal (ver valores abaixo) – será concedido, por seis meses, a 4,9 mil famílias santistas, incluindo mais de 10 mil crianças e adolescentes, em situação considerada de extrema pobreza – renda per capita de até R$ 89. O programa é custeado pelo Município e tem investimento estimado em R$ 5 milhões.

Por mês, cada núcleo familiar receberá entre R$ 120 e R$ 240, de acordo com a quantidade de filhos. Os beneficiários foram listados pela Prefeitura com base no Cadastro Único, do governo federal, e os nomes dos responsáveis em cada lar contemplado estão divulgados no Portal da Transparência de Santos.

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O programa integra o conjunto de ações intitulado Incentiva Santos, que consiste em transferência de renda a pessoas em situação de vulnerabilidade, além de distribuição de cestas básicas, isenção de tributos, perdão de dívidas com o Município e cursos de capacitação profissional com bolsa de até R$ 300.

Por meio do programa, quase cinco mil famílias passam a receber valores superiores à média paga hoje pelo Bolsa Família na Cidade, já que o valor médio do programa federal a munícipes santista é de R$ 206,04.

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AMPLIAÇÃO DE PÚBLICO.

O secretário municipal de Desenvolvimento Social, Carlos Mota, ressalta que o Auxílio Emergencial Municipal consiste em um programa de mais amplitude e diversificação de finalidade em relação ao Bolsa-Alimentação – fornecido pela Prefeitura, em quatro parcelas, a 8 mil estudantes, durante 2020. “Vamos ter uma disponibilidade maior de recursos e por período mais longo, de 180 dias. Além disso, cada família terá liberdade total para pagar contas de água, de luz, ou outras, de acordo com a própria realidade”.

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CRITÉRIOS.

Para receber o benefício, além da renda per capita de até R$ 89, as famílias devem possuir ao menos um integrante de até 15 anos e 11 meses. Para as que possuem filho dentro dessa faixa etária, o valor repassado será de R$ 120, subindo para R$ 180 no caso de dois e R$ 240 a partir de três.

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Devido ao caráter emergencial da medida e às condições de distanciamento social impostas pela pandemia, não haverá condicionantes relacionadas a acompanhamento familiar ou frequência escolar dos filhos.

A inserção no programa é automática a partir da base de dados do Cadastro Único, garantindo famílias com cadastro atualizado até o mês passado.

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SEGURANÇA ALIMENTAR.

Desde o início da pandemia, a Prefeitura realizou várias ações visando garantir a segurança alimentar da população mais carente. Uma delas foi a distribuição de mais de 23 mil cestas básicas. A Seds destaca que, durante a pandemia, as cestas básicas distribuídas pelos CRAS beneficiaram, inclusive, famílias sem inscrição no Cadastro Único do Governo Federal, considerando que não acessavam a Política de Assistência Social antes dos impactos da Pandemia, como os autônomos e pessoas que viviam com renda informal fora do recorte de renda para atendimento na Política de Assistência Social.

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Outra ação foi o Cartão Bolsa-Alimentação criado para beneficiar as famílias em situação de extrema pobreza, cadastradas ou não no programa Bolsa Família, e famílias em situação de pobreza que recebem a contribuição federal. A busca foi realizada a partir dos dados do Cadastro Único do Governo Federal.

A ação foi realizada em caráter emergencial na fase inicial da pandemia e cumprida na íntegra, de acordo com legislação vigente, nos meses de maio a julho de 2020. Depois, foi prorrogado por mais um mês (mais uma parcela). Em dezembro de 2020, a Prefeitura liberou mais quatro parcelas do benefício para as famílias de 8,3 mil estudantes da rede municipal de ensino em Santos.

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Desde o início da pandemia, Santos ampliou os serviços dos restaurantes populares Bom Prato, que passaram a oferecer jantar, além de permanecer atendendo ao público aos finais de semana e feriados. Inédita no Estado, a iniciativa inspirou o governo estadual a seguir esse sistema em todas as 59 unidades de São Paulo.

A maior oferta de refeições foi possível com a abertura dos equipamentos também aos finais de semana, feriados, além do fornecimento de jantar – antes da pandemia, o Bom Prato fornecia café da manhã e almoço. O número de refeições semanais subiu 65% em um ano.

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Em março de 2020, quatro unidades do Bom Prato ofereciam 25 mil refeições semanais. Hoje este número chega a 41.300 refeições semanais.

CRAS.

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A Prefeitura, por meio da Seds, executa políticas de assistência social de acordo com o Sistema Único da Assistência Social (SUAS). Dentro dessas ações estão os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) localizados em áreas de maiores índices de vulnerabilidade e risco social. Essas unidades ofertam serviços, programas, benefícios e garantia do acesso aos direitos socioassistenciais. São a principal porta de entrada ao SUAS no Município, ou seja, unidades que possibilitam o acesso de famílias em condições de vulnerabilidade social à rede de proteção assistência sociais. Santos tem oito CRAS e dois Núcleos Integrados de Assistência Social (NIAS), que também atendem essas famílias.

A Seds destaca que o Município, por meio dos oito Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) localizados em áreas de maiores índices de vulnerabilidade e risco social, viabiliza o acesso a programas de transferência de renda, cujo acesso se dá pelo Cadastro Único do Governo Federal

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No caso dos programas municipais, a indicação de famílias e beneficiários para inclusão nos mesmos aconteceu ao longo da pandemia de covid-19, conforme avaliação técnica da equipe técnica do serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) ofertado nos CRAS.

A indicação para os demais programas ocorre de forma automática, a partir da leitura de sistema informatizado dos dados das famílias inscritas no Cadastro Único do Governo Federal.