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Mudança do IML para o Estuário deve atender interesses do Santos FC

Segundo apurado pela Reportagem, decisão ocorreu em reunião no Palácio dos Bandeirantes entre o ex-governador Márcio França e o presidente do clube

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13 MAR 2019Por Carlos Ratton08h00
A ideia seria juntar Centro de Treinamento Meninos da Vila à área do Instituto Médico Legal (IML), no SaboóFoto: Nair Bueno/DL

A desativação do prédio onde fica o atual Instituto Médico Legal (IML), na Avenida Martins Fontes, 1215 - Saboó, e sua implantação na Rua Doutor Bernardo Browne, 122, no Estuário, em Santos, tem como objetivo, segundo a Superintendência da Polícia Técnico -Científica (SPTC) e a Diretoria do Centro de Pericias do IML, melhorar o atendimento à população local e oferecer uma estrutura melhor aos funcionários.

No entanto, conforme apurado extraoficialmente por uma fonte do Santos Futebol Clube (SFC), a mudança teria como real objetivo o atendimento a um pedido verbal do presidente do clube santista, José Carlos Peres, ocorrido em 09 de maio do ano passado, no Palácio dos Bandeirantes, pelo então governador Márcio França (PSB).

O encontro foi registrado no site do SFC. No vídeo anexo ao texto que registra a reunião, Márcio França fala da implantação de um centro de treinamento e captação de novos jogadores na Capital, além de salientar que houve "outros assuntos interessantes" tratados.

Vale lembrar que França, naquele período, já sonhava com a reeleição. Já Peres deve realizar um antigo sonho que é o de anexar a área do IML a do Centro de Treinamento Meninos da Vila, do lado equipamento do Estado, sem gastar "um tostão" sequer.

Sem retorno

Tanto o Governo do Estado, quanto a Presidência do SFC não se manifestaram ontem sobre acordo extraoficial. No entanto, conforme revela a fonte do Diário, ele teria sido feito na presença do vice-presidente do Clube, Orlando Rollo (licenciado do cargo), e do deputado estadual, Caio França (PSB), filho do ex-governador (torcedor do Santos) e conselheiro do Peixe.

"Entre os outros assuntos interessantes citados por Márcio França no vídeo, estava a proposta de Peres que, de maneira verbal, solicitou a cessão do imóvel para o SFC, e o compromisso do Governo de encontrar outro local para o IML. Um tempo depois, não sei precisar, Caio França informou que haviam encontrado um novo local no bairro do Estuário e, após a inauguração, a área atual do IML seria repassada ao Santos", explica a fonte.

Procurado, o vice-presidente licenciado Orlando Rollo confirmou que a conversa existiu "mas eu não soube o desdobramento porque me afastei da Administração do Santos". Já Caio França não retornou à solicitação feita pelo Diário por intermédio de sua Assessoria de Imprensa. Não foi revelada qual seria a contrapartida do alvinegro praiano em troca do imóvel.  

No último domingo (10), o Diário publicou que o imóvel da Bernardo Browne não poderia abrigar o IML por conta de um documento, expedido pela Prefeitura de Santos, que visa instruir o processo administrativo que trata do alvará de licença e funcionamento do equipamento. Nele, a fiscal de posturas Tatiane Cristina Gaspar, de próprio punho, enfatiza que a "atividade não é permitida para o local, conforme lei complementar 1.008, de julho de 2018, por se tratar de via intermediária".

A consulta prévia foi uma iniciativa do diretor do Instituto de Criminalística de Santos, Antônio Alvares Monteiro, em 08 de outubro último. Ele se baseou no Estatuto do Empreendedor Santista para pedir a análise prévia de viabilidade empresarial do empreendimento (IML). Ele usou o endereço do Palácio da Polícia - Avenida São Francisco, 136 - no formulário da consulta.   

O vereador Sérgio Santana (PR), que está acompanhando uma comissão que representa os moradores do Estuário contrária a instalação do IML, disse na última sexta-feira (8) que irá ingressar com uma denúncia no Ministério Público (MP).

Procurado semana passada, o Governo do Estado havia revelado que o prédio se encontra dentro de uma área de zoneamento classificada como mista e que está em fase de adequação para início do atendimento.

Já esta semana, confirmou que a documentação emitida pela Prefeitura já mencionava que o imóvel está situado em uma "zona intermediária", mas que também permite a instalação do IML. Sobre as adequações realizadas no imóvel, revela que são de responsabilidade do proprietário.

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