MP realiza operação contra suposto esquema de sonegação envolvendo distribuidoras de medicamentos

De acordo com a investigação, as fraudes geraram um prejuízo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos nos últimos seis anos

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01 OUT 2020Por Gazeta de S. Paulo11h30
Foram cumpridos 88 mandados de busca e apreensão em empresas e na residência de pessoas ligadas ao esquemaFoto: Divulgação/MP. Receita Federal e secretaria da Fazenda

Nesta quinta-feira (1º), Ministério Público de São Paulo, a Receita Federal e Secretaria Estadual da Fazenda realizaram uma operação contra um suposto esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A investigação envolve cinco grandes distribuidoras de medicamentos, duas redes varejistas e uma associação nacional de distribuidoras de remédios.

De acordo com a investigação, as fraudes geraram um prejuízo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos nos últimos seis anos.

Durante as buscas, a polícia encontrou R$ 8 milhões em dinheiro vivo na casa de um sócio de uma rede de farmácias.

Foram cumpridos 88 mandados de busca e apreensão em empresas e na residência de pessoas ligadas ao esquema na Capital, Grande São Paulo e nas regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Marília, Piracicaba e Campinas. Outros mandados foram cumpridos Goiás e Minas Gerais. A Justiça determinou o sequestro de 17 imóveis.

Investigação

A investigação começou em 2017 com a realização da 1º fase da Operação Monte Cristo, que tinha como alvo a rede de farmácias Farma Conde, com lojas na região do Vale do Paraíba, segundo o Ministério Público.

Na primeira fase, alguns investigados assinaram acordos de colaboração premiadas, que resultou em confissões e pagamentos de débitos fiscais estaduais e federais no valor de R$ 340 milhões.

Os investigados delataram a participação das distribuidoras Medicamental, Navarro, Dismed, Divamed e Mais Bella, de duas redes varejistas, a Bifarma e a Campeã, e da Abradilan, Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos, todas alvos da operação desta quinta (1°).

De acordo com os investigadores, os colaboradores disseram que as empresas implementaram mecanismos de fraude fiscal com a aquisição de produtos de uma companhia sediada em Goiás.

O objetivo da fraude era obtenção de vantagem ilícita ao grupo, com a diminuição do custo final dos produtos.