MP abre inquérito para investigar bancos em Guarujá

Hoje, às 10h30, Sindicato dos Vigilantes realiza reunião para debater a lei que não vem sendo cumprida

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27 JUN 2017Por Carlos Ratton09h40
A lei 4.091 obriga as agências a manter monitoramento 24 horas e vigilantes armados em todos os pontos que possuam caixas eletrônicos no municípioA lei 4.091 obriga as agências a manter monitoramento 24 horas e vigilantes armados em todos os pontos que possuam caixas eletrônicos no municípioFoto: Matheus Tagé/DL

A 4ª promotora pública de Guarujá, Silvia de Freitas Denari, abriu inquérito civil para investigar a situação de vulnerabilidade com relação à segurança dos bancos na Cidade e o não cumprimento da lei municipal 4.091 que estabelece a obrigatoriedade de segurança privada nos estabelecimentos bancários desde março de 2014.

De autoria do então vereador Luciano Lopes da Silva, o Luciano China, e sancionado pela ex-prefeita Maria Antonieta de Brito, a lei obriga que os bancos mantenham sistema de videomonitoramento 24 horas e serviços de segurança (vigilantes armados) em todos os pontos que possuam caixas eletrônicos, o que não vem ocorrendo.

Conforme a legislação vigente, o Executivo é responsável pela fiscalização e cumprimento da lei por intermédio do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), representada pela fundação que leva o mesmo nome e é responsável por ajudar a mediar os conflitos entre os consumidores e os fornecedores de produtos e serviços.

A legislação penaliza quem não estiver cumprindo a lei na ordem de 10 mil unidades fiscais do município (UFMs) – cerca de R$ 30 mil -  dobrando em cada reincidência e, após cinco autuações, a lacração da agência, que só poderá ser reaberta após o pagamento das multas.

A promotora já convocou o ex-vereador que, ao Diário, confirmou que a lei não vem sendo cumprida, mesmo após várias reuniões com representantes da Prefeitura e da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

“O ano de 2015 passou, em maio de 2016 fizemos uma nova reunião, inclusive com a participação do sindicato dos vigilantes, e um prazo de 30 dias foi dado e nada. Então, resolvi entrar com uma representação no Ministério Público (MP), com objetivo de cobrar fiscalização da Prefeitura e o cumprimento da lei por parte dos bancos”, disse.

Explosões

O ex-vereador lembra que a Guarujá é a cidade que mais sofre com explosões de caixas eletrônicos. As agências bancárias que ficam na Avenida Dom Pedro, na Enseada, são as que mais sofrem. Algumas adotaram horário restrito de funcionamento em função dos ataques. Suspendem o serviço de caixa eletrônico após às 16 horas, atrapalhando a vida do consumidor. Na última sexta-feira, China revelou que iria iniciar uma fiscalização a partir de ontem.  

“Eu mesmo fui vítima recentemente, quando furtaram minha carteira dentro de uma agência. O monitoramento evitaria esse tipo de delito, principalmente nos finais de semana. Os vigilantes, além de proporcionar sensação de segurança, teriam mais empregos. Segundo eu levantei, a simples adoção iria gerar cerca de 100 novos postos de trabalho em Guarujá, fora os trabalhadores que fazem manutenção do monitoramento eletrônico”, afirma.

O presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Condecon), Cláudio Fernandes de Aguiar, ratifica as informações do ex-vereador e afirma que os caixas eletrônicos estão servindo para vários crimes em Guarujá.

“Até estupro já ocorreu dentro de agência na Enseada. A moça foi surpreendida pelos bandidos. Além disso, os turistas estão sendo abordados fora da agência e os acompanha na retirada do dinheiro. Toda sexta-feira, os caixas eletrônicos são fechados já a partir das 17 horas”, completa.

O conselheiro também alerta que as agências em Guarujá não estão cumprindo a lei que determina o tempo máximo que a pessoa tem que ficar na fila, também da autoria de Luciano China. “O Condecon vai fiscalizar as agências para que as leis sejam cumpridas e as pessoas se sintam à vontade de sacar dinheiro em caso de necessidade”, conclui.

Reunião

Hoje, às 10h30, na Rua Antônio Bento, 158, na Vila Mathias, em Santos, o Sindicato dos Vigilantes realiza uma reunião para debater representação de China que acabou ocasionando a abertura de inquérito por parte do MP. Além de China e Cláudio Aguiar, estarão presentes representantes do Sindicato Patronal das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado.

Febraban garante segurança e Prefeitura diz que fiscaliza

Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou ontem que as instituições financeiras investem cerca de R$ 9 bilhões por ano em segurança, vêm aperfeiçoando seus sistemas e  atuam parceria com governos, polícias e Judiciário no combate à criminalidade, propondo novos padrões de proteção. Ainda conforme a Febraban os números de assaltos e tentativas vem caindo ano a ano.

“Em 2016, foram registrados 339 assaltos e tentativas de assaltos no Brasil, sendo este o menor número de assaltos nos últimos 17 anos. O número indica redução em relação a 2015, quando foram registradas 394 ocorrências (-14%).

Vigilantes

Em relação à segurança, a Febraban esclarece que a permanência de vigilantes nas áreas de autoatendimento das agências fora do horário normal de expediente bancário, inclusive no período noturno e nos sábados, domingos e feriados, não melhora a segurança e pode gerar problemas adicionais. 

“O vigilante armado e com colete balístico na sala de autoatendimento nesses períodos de baixo movimento é alvo fácil de assaltantes interessados em roubar seu colete e arma para a prática de outros crimes. Além de impactar negativamente a segurança dos próprios vigilantes, os clientes que porventura estiverem no local nestes horários estarão expostos a riscos adicionais”, conclui.

Prefeitura

O Procon de Guarujá informa que fiscaliza as agências bancárias, inclusive com autuações, com base na lei 8.078/90 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Esta que é legislação federal mais aprimorada e de maior abrangência para defesa do consumidor, além de melhor eficácia punitiva.  

Reitera ainda  que é um dever do fornecedor ou prestador do serviço bancário a segurança e a qualidade dos serviços colocados à disposição. Isso inclui sistemas de manutenção do monitoramento, de segurança e o tempo reduzido de espera.