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Cotidiano

Movimento antimanicomial fará manifestação nesta sexta-feira, em Santos

Ela visa destacar a importância da luta pelo cuidado em liberdade, uma causa que remonta ao fechamento da Casa de "Saúde" Anchieta no final dos anos 80

Carlos Ratton

Publicado em 16/05/2024 às 09:00

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Um dos cômodos do Anchieta, antigo manicômio santista / Fotos de Carlos Nogueira/Prefeitura de Santos

Movimento Nacional da Luta Antimanicomial fará nesta sexta-feira (17), às 10 horas, na Estação da Cidadania, localizada à Avenida Ana Costa, 340, esquina com a Francisco Glicério, em Santos, uma manifestação sob o mote "necropolítica de Estado: Cadeia, Comunidades Terapêuticas (CT’s) ou Caixão. Punitivismo Não!". Ela visa destacar a importância da luta pelo cuidado em liberdade, uma causa que remonta ao fechamento da Casa de “Saúde” Anchieta no final dos anos 80. 


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O Diário do Litoral e a Universidade Santa Cecília (Unisanta) lançaram, ano passado – junto com a retomada da Frente da Luta Antimanicomial Baixada - o documentário Nossa Louca Resistência, que abrange o tema, chamando a atenção da sociedade para diálogo e compreensão sobre o cuidado em saúde mental. (Ver nessa reportagem). 

O objetivo principal da manifestação é conscientizar sobre a necessidade de combater a lógica manicomial que permeia o cotidiano, instituições e práticas na sociedade. Além disso, a manifestação busca promover o respeito aos Direitos Humanos e à vida, alinhando-se às lutas sociais que marcam o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial há mais de 30 anos.


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Os participantes são incentivados a demonstrar sua força, orgulho e protagonismo trazendo bandeiras de tecido coloridas e criativas, camisetas ou abadás representativos de seus coletivos ou serviços, instrumentos musicais, serpentinas, apitos, tintas, fantasias, lanches para compartilhar, água e muita liberdade.

Além da manifestação, o Movimento da Luta Antimanicomial está realizando diversas ações preparatórias na cidade de Santos, incluindo o Ciclo de Cine debates e a Oficina de Cartazes. 

Para o movimento, Comunidades Terapêuticas (CTs) são instituições criadas para suposto tratamento para dependência química, mas que frequentemente carentes de regulamentação, são na verdade “hospícios modernos”, palco de violações de direitos humanos, abuso religioso, representando um sistema que perpetua estigmas e negligência abordagens humanizadas e baseadas em evidências científicas.

Sétima arte

Nossa Louca Resistência, obra oriunda da segunda parceria cinematográfica do Diário do Litoral e a Universidade Santa Cecília (Unisanta), que conta a história dos 30 anos de intervenção da Casa de Saúde Anchieta, conhecida como a Casa dos Horrores, foi apresentada recentemente no 19º Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), em Minas Gerais, onde representou a Baixada Santista.

A obra encontra-se em exibição livre no YouTube. Mostra o passado e o presente do prédio da antiga Casa de Saúde Anchieta, que na década de 80 recebia seres humanos com problemas psicológicos, dependentes químicos, gays e até jovens de espírito rebelde que, vítimas do preconceito da sociedade, eram submetidos a tratamentos de choque e torturas no hospital psiquiátrico conhecido como Casa dos Horrores.

Passadas mais de três décadas da intervenção municipal - iniciativa que mudou os rumos do local - o cenário é outro. No interior de paredes que ecoavam gritos de desespero, só há música, afazeres domésticos, vozes de crianças brincando, reuniões dominicais de 69 famílias. São mais de cinco dezenas crianças, pessoas com deficiência e idosos que vivem há anos no prédio do antigo manicômio.

Há anos, as famílias inteiras ocupam o prédio do Anchieta e lutam nas ruas de Santos para não serem despejadas. Foram várias manifestações públicas e passeatas para sensibilizar a opinião pública e a Justiça.

A questão da falta de habitação é uma ferida há décadas aberta sem solução. Seria preciso pelo menos 100 mil moradias dignas para acabar com o martírio de uma população que mal tem saneamento básico, fundamental para a saúde humana.

Luta

A Luta Antimanicomial vai se configurando a partir das discussões da Reforma Psiquiátrica, que ocorreram na década de 70 ao redor mundo. Na década de 80, ganha forças a partir da organização de trabalhadores da saúde mental, junto às pessoas usuárias de serviços/pacientes de cuidados em saúde mental e familiares.

O Movimento Nacional da Luta Antimanicomial nasceu há mais de 30 anos, alinhado às lutas sociais, defesa dos Direitos Humanos e respeito à vida. O movimento cresceu e avançou para outras importantes bandeiras de luta, como a Reforma Psiquiátrica, a Redução de Danos, a Gestão Autônoma de Medicação (GAM).

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