Na fria casa de três cômodos agora resta poucos móveis. Parte da mobília e dos eletrodomésticos de Maria Luzia Silva dos Santos, 55 anos, já estão em Itabaiana, em Sergipe. Foram transportados por um homem que conheceu sua história por meio das redes sociais e de uma reportagem publicada no último dia 10 no Diário do Litoral. A dona de casa é mãe de Claudio Silva dos Santos, 33 anos, portador de transtornos mentais que vive isolado em casa. Ela luta para voltar à sua terra natal onde poderá ter o apoio da família.
“A minha família ficou muito feliz quando viu que os móveis chegaram lá. Mandaram áudio no Whatsapp perguntando quando a gente ia também. Quando ele ofereceu ajuda para transportar os móveis fiquei receosa de não ter outra oportunidade, já que é muito caro essa mudança. E deixei ele levar”, afirmou Luzia. O homem que a ajudou trabalha com o serviço de mudança para todo o Brasil.
Os móveis chegaram ao seu destino há uma semana. Estão guardados na casa dos familiares da dona de casa, em Itabaiana, para onde ela deve seguir assim que levantar recursos para a custear uma ambulância para transportar o filho. O valor da remoção é de aproximadamente R$ 10 mil.
“Estou sem nada aqui. Só fiquei com o fogão, a cama onde ele dorme e o meu marido também. Ele deve vir buscar o restante no dia 15. Aí ficarei sem nada. Mas tenho fé em Deus que uma alma abençoada poderá me ajudar”, disse Luzia.
Quase todos os dias Luzia sai pelas ruas de São Vicente buscando ajuda para amenizar o seu sofrimento. Solitária, com uma faixa nas mãos e alguns panfletos, compartilha seu drama com as pessoas que encontra. Além do filho com transtornos mentais, ela cuida do marido que vivencia as sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Com a dedicação total aos dois, a dona de casa vive sozinha entre os mundos particulares de sua pequena família e a impossibilidade de cuidar de si.
“Meu marido dorme praticamente o dia todo. Não lembra muito das coisas. Quando saio preciso deixar ele trancado no quarto longe do Claudio. Senão ele agride o pai”, disse a melhor.
Claudio tem diagnóstico de deficiência intelectual moderada e comportamento autista e apresenta comportamento que pode causar risco de atropelamento, queda e violência contra pessoas inespecíficas. Ele faz tratamento psiquiátrico, no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) III Mater, e é acompanhado por visitas domiciliares periódicas. Segundo a Secretaria de Saúde de São Vicente, para seguir junto com a mãe para Sergipe é necessário que o jovem tenha transporte especializado (ambulância ou transporte aéreo), além de sedação para realizar a remoção.
Filho
A Reportagem conheceu Claudio, o filho de Luzia. Desconfiado, o jovem observou a equipe, mas logo interagiu. Cantou e fez questão de mostrar revistas, carrinhos e bonecos que o ajudam a passar as horas dentro de casa.
“O comportamento dele é como de uma criança de dois anos, mas tem a força de um adulto. Quando surta é muito agressivo”, disse Luzia, que é uma mãe cuidadosa e demonstra muito cuidado pelo filho. Há alguns anos ele frequentava uma entidade destinada ao trabalho com excepcionais, mas após sucessivos surtos leva-lo a rua ficou praticamente impossível.
Com a proximidade da data em que o restante de sua mobília será levada para Itabaiana, Luzia fez um apelo. “Às vezes as pessoas não ligam para o que peço nas ruas, mas eu sei que tem gente boa. Às vezes faltam forças, mas nunca a fé. Espero que eu consiga”, afirmou. A renda de Luzia é um pouco mais de um salário mínimo, oriundo da aposentadoria do marido. Boa parte é destinada ao pagamento do aluguel da pequena casa onde residem no bairro Catipoã, em São Vicente.
Quem puder ajudar a Luzia a voltar para Sergipe o contato é o (13) 3013-4870. Ela também disponibilizou uma conta para o depósito de qualquer quantia. Banco Bradesco – Agência 0537-1 conta corrente 9870-1.
