Há uma estrada na África do Sul que se tornou um ponto de teste crucial para fabricantes de veículos de alta performance. Um trecho de 120 km na rodovia N14, entre a Kakamas e o Pofadder, ostenta um limite de velocidade de 250 km/h, mais que o dobro do padrão nacional de 120 km/h para rodovias.
No entanto, a velocidade máxima de 250 km/h é permitida apenas para veículos autorizados pelas autoridades de trânsito locais. Os sinais de alerta amarelos, claramente visíveis no início e fim da seção, trazem a inscrição: “Atenção. Somente veículos autorizados para teste de velocidade nos próximos 120 km”.
Os carros aprovados ostentam um adesivo amarelo brilhante que confirma a permissão para testes de alta velocidade e podem atingir os 250 km/h legalmente. Para os demais motoristas, o limite padrão de 120 km/h permanece em vigor.
Ideal para testes de estresse
A combinação da alta velocidade permitida e as condições climáticas quentes da área tornam o local ideal para as fabricantes submeterem seus veículos a testes de estresse sob calor extremo. Além disso, a baixa densidade populacional da região mantém as estradas em excelentes condições devido ao uso esporádico.
Grandes montadoras, incluindo Bugatti, Porsche e BMW, já utilizaram o trecho. Modelos notáveis, como o Bugatti Veyron 16.4 Grand Sport Vitesse, o Porsche Panamera e diversos modelos da BMW, realizaram testes de velocidade na N14.
Controvérsia sobre limites de velocidade
Enquanto essa rodovia permite velocidades altíssimas para fins específicos, o debate sobre os limites de velocidade é um tema sensível no país. Em 2022, a Road Traffic Management Corporation (RTMC) chegou a propor uma redução generalizada de 10 km/h em todos os limites, o que faria o limite de rodovias cair para 110 km/h.
No entanto, a Automobile Association of South Africa (AA) não apoiou a proposta, argumentando que mudanças desse tipo devem ser baseadas em uma abordagem mais holística e que a má infraestrutura das estradas e o desrespeito às leis de trânsito são problemas mais urgentes para reduzir fatalidades.
Especialistas apontam que a fiscalização de velocidade é mais simples e lucrativa para o Estado, mas não há evidências de que apenas a redução do limite resolva o problema de segurança viária.
