Cotidiano

'Morro feliz na avenida': A lição de vida de uma das integrantes mais velhas da União Imperial

Aos 92 anos, Maria Aparecida Groppe celebra o título de 2026 e prova que a paixão pelo samba não conhece limites de idade

Nathalia Alves

Publicado em 16/02/2026 às 14:40

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Aos 92 anos, Maria emociona e reforça amor pela União Imperial / Renan Lousada/DL

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O Carnaval de Santos 2026 teve um brilho especial na avenida. Entre as integrantes da escola campeã, a União Imperial, estava Maria Aparecida Groppe, de 92 anos, que emocionou o público ao desfilar mais uma vez pela agremiação que defende há cerca de duas décadas.

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Após ficar nas demais posições do pódio nos últimos anos, a vitória deste ano consolidou a escola como uma das maiores potências do samba no litoral paulista.

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Única integrante da família na escola, Maria carrega consigo não apenas o pavilhão verde e rosa, mas também o orgulho e o apoio incondicional dos filhos e do neto, que a acompanha de perto em todos os momentos.

“Só ela participa, mas a gente participa de alguma forma, por meio da alegria dela”, contou o neto, que mora ao lado da avó e está presente em praticamente toda a rotina dela. Segundo ele, a família incentiva a participação com cautela, respeitando os limites da idade.

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Maria começou a desfilar oficialmente após os 70 anos. Antes disso, sua ligação com a escola surgiu por meio de uma amizade. Ela conheceu a agremiação por intermédio de uma amiga, responsável por uma das equipes, quando jogava vôlei.

Foi durante uma conversa na praia que surgiu o convite para integrar a ala das baianas. “Irmã, como é que eu faço para ir desfilar lá?”, perguntou Maria na época. A resposta foi simples: “Você vai”.

Desde então, nunca mais deixou a avenida.

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Amor pelo samba e superação

Até 2024, Maria desfilava na ala das baianas “no chão”, participando dos ensaios e cumprindo toda a preparação. No entanto, ao final daquele ano, começou a se sentir mal fisicamente. Ainda assim, não abandonou a escola. Hoje, participa de forma adaptada, mas continua presente e atuante.

Neste ano, o enredo com o tema da ancestralidade levou à Passarela do Samba Dráuzio da Cruz o espetáculo “A Consagração em Orixá – Renascer em UNIÃO é a chave da vida”, unindo fé, ancestralidade e a comemoração dos 50 anos da escola.

A apresentação emocionou a veterana. “Foi muito bonito, tudo, tudo”, disse. Confiante, ela chegou a afirmar, antes mesmo da apuração, que a escola sairia vencedora, o que se confirmou.

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A União Imperial, que completou 50 anos de história, tem Maria como parte importante de sua trajetória nas últimas duas décadas. Ela não integra a velha guarda, composta pelos fundadores e membros desde o início, mas se tornou símbolo de dedicação e resistência.

Momento emocionante com Viviane Araújo

Um dos pontos altos do desfile de 2026 foi quando Maria foi escolhida para entregar flores à modelo e empresária Viviane Araújo, que também desfilou pela escola campeã.

O gesto foi recebido com emoção e aplausos, marcando um dos instantes mais simbólicos da apresentação da União Imperial na avenida — e na vida de Maria.

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“Posso morrer na avenida”

Determinada e apaixonada pelo Carnaval, Maria resume seu sentimento com uma frase forte e sincera:

“Posso morrer fazendo isso, morrer na avenida, mas morro satisfeita e morro feliz.”

Para ela, o Carnaval representa mais do que festa: é vida, pertencimento e felicidade. E o apoio da família é fundamental para que continue realizando esse sonho aos 92 anos.

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Maria Aparecida Groppe é mais uma entre tantas mulheres que mostram que envelhecer não significa parar. Ao contrário, significa aceitar a própria idade e continuar experimentando novas emoções.

Para ela, o desfile na avenida é um dos momentos mais felizes de sua vida, e, ao que tudo indica, ainda há muitos carnavais pela frente.

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