Morre José ‘Pepe’ Mujica, ex-presidente do Uruguai, aos 89 anos

Em abril de 2024, ele anunciou que estava com um tumor no estômago, com o órgão 'muito comprometido'

Ex-presidente do Uruguai, José 'Pepe' Mujica, morreu nesta terça-feira (13)

Ex-presidente do Uruguai, José 'Pepe' Mujica, morreu nesta terça-feira (13) | José Cruz/Agência Brasil

O ex-presidente do Uruguai, José ‘Pepe’ Mujica, morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos. Ele governou o país entre 2010 e 2015.

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Em abril de 2024, ele anunciou que estava com um tumor no estômago, com o órgão “muito comprometido”. Também afirmou que seu quadro de saúde era “duplamente complexo”, pois já sofria de uma doença imunológica há mais de 20 anos.

Desde então, passou a evitar aparições públicas e permaneceu em sua propriedade rural, localizada nos arredores de Montevidéu.

O câncer avançou para outros órgãos, levando Mujica a receber apenas tratamento paliativo nos últimos meses. Segundo sua companheira, Lucia Topolansky, ele já estava em estágio terminal e sob cuidados médicos de conforto. 

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Devido ao seu estado de saúde debilitado, o ex-presidente não conseguiu comparecer às eleições regionais realizadas no último domingo (11).

Sobre Mujica

Nascido em Montevidéu, em 20 de maio de 1935, José Alberto Mujica Cordano tornou-se membro da guerrilha Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros.

Mujica foi eleito sucessor de Vázquez e assumiu a Presidência em 2010, governando até 2015. Em sua gestão, o gasto social saltou de 60,9% para 75,5% do total do gasto público.

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Em conformidade com sua visão política, o salário mínimo teve um aumento de 250%. Em 2012, ele propôs a legalização do consumo e da venda da maconha, que acabou se concretizando no país.

Uma trajetória marcada pela simplicidade e por ideias progressistas

Mujica comandou o Uruguai entre 2010 e 2015 e ficou conhecido mundialmente por seu estilo de vida modesto. Recusava luxos, dirigia um fusca antigo e doava parte significativa do seu salário para ações sociais. 

Também ganhou destaque por discursos marcados por reflexões sobre política, sociedade e a vida humana.

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Durante seu governo, implementou políticas progressistas que marcaram a história do país, como a legalização da maconha, o casamento igualitário e a descriminalização do aborto. 

Foi também durante esse período que o Uruguai ampliou programas sociais e reduziu significativamente os índices de pobreza, além de adotar políticas educacionais e habitacionais voltadas para populações vulneráveis.

Mesmo após deixar o cargo, Mujica continuou sendo uma voz influente no debate político e se manteve como referência ética para muitos movimentos sociais.

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Ele foi eleito senador em 2019, mas abriu mão do cargo no ano seguinte para preservar sua saúde durante a pandemia.

Guerrilheiro preso por mais de uma década

Nascido em 1935 em Montevidéu, Mujica teve origem humilde e iniciou sua militância política nos anos 1960 ao fundar o grupo armado Tupamaros, que lutava contra a ditadura militar uruguaia. 

Por sua atuação, passou cerca de 14 anos na prisão, enfrentando duras condições, sendo ferido em ações policiais e ficando longos períodos em solitárias.

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Sua experiência na prisão foi retratada no filme Uma Noite de 12 Anos, dirigido por Álvaro Brechner, e marcou profundamente sua visão de mundo. 

Após a redemocratização, Mujica retomou a carreira política de forma institucional e ajudou a fundar a Frente Ampla, coalizão de esquerda que o conduziu à presidência.

Engajado na luta pela integração regional

Mujica defendia de forma insistente a união entre os países latino-americanos como única maneira de conquistar relevância internacional e proteger a soberania regional.

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Ele via a fragmentação política como um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento do continente e defendia que, independentemente das ideologias, os países deveriam atuar juntos para fortalecer sua presença no cenário global.

Em 2023, participou de eventos voltados à cooperação entre os povos da América Latina e Caribe, reforçando a necessidade de articulação política regional. 

Para ele, a história do continente foi moldada por potências externas e só a integração poderia garantir um futuro de autonomia e progresso para seus povos.

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Reconhecimento internacional

Em dezembro de 2024, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi até a residência de Mujica e entregou pessoalmente a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, considerada a maior condecoração brasileira concedida a estrangeiros. 

Emocionado, Lula afirmou que a homenagem ia além da trajetória política do uruguaio, exaltando sua conduta e caráter.

Pouco antes de morrer, Mujica havia visto seu grupo político, a Frente Ampla, retornar ao poder no Uruguai com a vitória de Yamandú Orsi nas eleições presidenciais de 2024. 

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O novo presidente assumiu o cargo em março de 2025, marcando a volta da centro-esquerda ao governo uruguaio.