Moradores vão à Justiça por insegurança no túnel do VLT

Associação de Moradores e Amigos Pé na Areia ingressa com representação no Ministério Público do Estado de São Paulo

O presidente da Associação de Moradores e Amigos Pé na Areia – Amapena, advogado Gabriel Miceli de Carvalho, ingressou com uma representação (denúncia) no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) contra a BR Mobilidade Baixada Santista, concessionária do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), gerenciadora da concessão, para que ambas impeçam a permanência de pessoas no túnel do José Menino.

Continua após a publicidade

A Amapena questiona as condições de segurança no trecho entre as estações João Ribeiro (Itararé – São Vicente) e Nossa Senhora de Lourdes (José Menino – Santos). Também pede a recuperação do canteiro dos trilhos entre a estação João Ribeiro e o túnel.

A Associação afirma que, por inúmeras vezes, apontou o túnel como ponto de usuários de drogas e rota de fuga para assaltantes que atuam nas redondezas para a Prefeitura de Santos e EMTU, mas até agora nada de eficaz foi feito para acabar com o problema.

Continua após a publicidade

Segundo afirma, há praticamente um ano, a BR Mobilidade se comprometeu a implementar melhorias no túnel, entretanto, até agora, apenas foi reforçada a iluminação do local, o que não impediu a permanência de usuários de drogas e pessoas em situação de rua.

Cobrada mês passado, a EMTU respondeu que os projetos para obras que possam coibir a permanência dessas pessoas dentro do túnel serão encaminhados até o final de agosto à Prefeitura, que se comprometeu a executá-las.

Continua após a publicidade

“É bom que fique claro que pessoas em situação de rua têm que ter um atendimento diferenciado de marginais, pois são pessoas que precisam de assistência social. O Projeto Novo Olhar, da Prefeitura, esteve na Associação e os moradores sugeriram que o túnel não fosse mais acessível a pessoas, pois gera riscos, inclusive para quem o frequenta”, afirma Gabriel Miceli.

A Amapena lembra que o túnel do VLT continua favorecendo o tráfico de drogas e tem servido também de abrigo para foragidos da Justiça, conforme já veiculado pela imprensa da região. Além disso, no gramado que margeia os trilhos do VLT entre a estação João Ribeiro e o túnel, já tem moradias irregulares com ligações clandestinas de luz. Miceli explica que a própria população em situação de rua que ocupa aquele local encontra-se refém do tráfico de drogas e exposta ao risco de um acidente iminente com os veículos do VLT.

Continua após a publicidade

“É uma tragédia anunciada há cerca de um ano pela Amapena. A cada dia que passa, a região fica mais degradada e a insegurança aumenta para desespero dos moradores que já estão cansados de esperar por uma solução que nunca chega”, desabafa, alertando, inclusive, que o livre acesso ao túnel fere fere as obrigações contratuais assumidas pelo Consórcio BR Mobilidade.

Lei

Continua após a publicidade

O advogado lembra, por fim, que a lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos e o Código de Defesa do Consumidor são a carta magna dos usuários do VLT, que, em seu artigo 6º, a prevê que toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado e segurança.

“Ora, se as condições mínimas de segurança, decorrentes da exploração econômica da empresa concessionária não estão sendo garantidas durante a prestação do serviço, indiscutível, portanto, que não há prestação adequada do serviço público essencial. Nesse sentido, já foi exposta a insegurança a que estão submetidos todos os cidadãos impactados pelo empreendimento sob responsabilidade da empresa concessionária, devendo esta assumir os ônus decorrentes da sua exploração econômica”, finaliza.

Continua após a publicidade

Procurados pela Reportagem para se manifestarem sobre a denúncia da Associação, a BR Mobilidade Baixada Santista e a EMTU informam que não tem conhecimento sobre o assunto e que só se manifestaram após serem notificados pelo Ministério Público.