Moradores relatam alagamentos após fim das obras do VLT

Eles alegam que a rua Marquês de São Vicente passou a encher mais após as obras do VLT e reclamam da falta de planejamento

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27 MAR 2017Por Vanessa Pimentel11h00
Segundo os moradores, as obras do VLT fecharam galerias pluviais existentes, o que prejudica o escoamento da água. Outra reclamação é a mudança de lugar da feira livreSegundo os moradores, as obras do VLT fecharam galerias pluviais existentes, o que prejudica o escoamento da água. Outra reclamação é a mudança de lugar da feira livreFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Moradores da Rua Marquês de São Vicente, localizada no bairro Campo Grande, em Santos, estão sofrendo com alagamentos. Segundo eles, as ruas já enchiam, mas não na proporção registrada no final de semana passado. Para muitos, o cenário é decorrente do planejamento das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

“Eu pensei que a obra iria melhorar esta situação, mas piorou porque agora enche mais”, diz Ângela Freire, moradora do bairro há 15 anos.

A chuva atingiu a Baixada Santista no início da tarde do último dia 17 e permaneceu por mais dois dias, causando alagamentos em diversos lugares. “Eu sei que choveu muito, mas não era para ter enchido do jeito que encheu. Acompanhei as obras e questionei os engenheiros sobre o fechamento das bocas de lobo, só que eles respondiam que seguiam o projeto do Governo do Estado”, diz Antônio Carlos de ­Oliveira.

João Carlos Rodrigues, funcionário do prédio onde mora Antônio, mostra à Reportagem a comporta que precisou instalar no portão que dá acesso à garagem subterrânea do edifício. “O subsolo nunca tinha alagado, mas desde que as obras começaram, passou a encher”, explica João.

Joaquim Lima Júnior mora no local há 70 anos e relata que havia em torno de duas galerias pluviais nas ruas laterais à via férrea que auxiliavam no escoamento da água, mas que foram tampadas com o início das obras. “Ninguém é contra o VLT, mas contra a falta de planejamento”, declara.

Feira

Outra reclamação dos munícipes é a mudança de lugar da maior feira livre da cidade, composta por cerca de 130 barracas. Eles alegam que com o início das obras, a prefeitura mudou o local de exposição, mas que isso seria temporário. “Na época a Prefeitura tirou a feira de sábado da Avenida Francisco Glicério e passou para cá, alegando que seria assim até a conclusão das obras nesse trecho, mas as obras já acabaram e nada. A feira iria para aquele lado, onde colocaram gramado e palmeiras. É bonito, mas sem serventia”, diz Lima, enquanto aponta para o trecho onde hoje há um jardim.

Também relata a falta de sinalização de solo após as adaptações que a Rua Marquês de São Vicente sofreu. “Os carros acabam parando tão próximo do ponto de ônibus e, às vezes, eles não conseguem parar”, afirma Lima.

Prefeitura

Questionada, a Prefeitura de Santos respondeu que elaborou um relatório apontando os reparos necessários a serem realizados na obra, incluindo os que tratam o problema dos alagamentos. O documento foi enviado a EMTU e aguarda resposta.

Quanto à mudança de local da feira, informou que ainda não há previsão porque depende de avaliação técnica em razão das normas de ­segurança.

EMTU

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo, responsável pelas obras do VLT, respondeu que elas não interferiram no sistema de drenagem existente, mas que enviará técnicos para verificar possíveis entupimentos em bueiros.

Caso seja constatado algum problema decorrente das obras já finalizadas, a EMTU tomará providências para que as correções sejam feitas.

Quanto à sinalização de solo, respondeu que a CET aprovou a implantação que já começou e deve ser finalizada em maio.