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Moradores querem fechar o Six Sports Bar, no Gonzaga

Denúncia já chegou ao Ministério Público pelas mãos do vereador Benedito Furtado

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25 OUT 2019Por Carlos Ratton07h00
Bar está localizado em local cercado de edifícios. Gerente do Six garante que já está tomando todas as providências necessáriasFoto: Nair Bueno/DL

Moradores da Rua Jorge Tibiriçá, no Gonzaga, em Santos, iniciaram um abaixo-assinado e tentam uma reunião com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) - por duas vezes cancelada - com objetivo da suspensão imediata e fechamento do Six Sports Bar, localizado no número 44 da rua. O caso já chegou ao Ministério Público (ver nessa reportagem).

Segundo a vizinhança, desde 9 de agosto último, quando iniciou suas atividades, o estabelecimento vem descumprindo a lei de Uso e Ocupação de Solo, determinações previstas no Conselho Nacional do meio Ambiente (Conama) e outras legislações municipais, principalmente em relação à poluição sonora.

Mais do que barulho, os moradores reclamam de abusos de quebra do sossego, comprometimento da higiene na rua e outras adjacentes, além de riscos à segurança física e patrimonial. Os munícipes fizeram um dossiê com quase 50 páginas, incluindo fotografias, cópias de registros de reclamações na Ouvidoria, mas nada foi resolvido até o momento.

A vizinhança enviou imagens de lançamento de dejetos de cozinha em vias coletoras de águas pluviais; pessoas sendo levadas a atendimento médico em estado de coma alcoólico e ainda relatos de contribuintes sendo constrangidos e expostos a situações como clientes do bar urinando e evacuando próximo do Six. No entanto, as respostas do Poder Público são insatisfatórias.

Síndico dos edifícios Inca e Asteca, Lucio Cangiano confirma que o som, as brigas de casais na rua e a sujeira depositada no entorno são questões insuportáveis. "Principalmente nos finais de semana. Até já filmamos. As autoridades já estão cientes, mas não há solução. Os idosos não descansam. Além disso, os imóveis estão sendo depreciados e já percebemos pessoas armadas", garante.

Luiz Alberto Espósito (síndico) e Luiz Azzolini, ambos do edifício La Rochelli, acrescentam que o Código de Posturas é claro que não se pode ter esse tipo de ambiente em bairro residencial. "Alguns moradores estão dormindo à base de medicação. Como será nas festas de fim de ano?", questiona Espósito.

Maria Aparecida Nolli de Campos, de 83 anos, diz que a situação "é de enlouquecer. Eu fico andando com meu travesseiro pelo apartamento todo em busca de um lugar silencioso para dormir. Tomo remédio, mas não adianta", afirma.

GERENTE.

Procurado, o gerente do Six, Guilherme Sardenberg, disse que existe exagero nas alegações dos moradores, principalmente relacionados ao som. Ele afirma que já estava se reunindo com alguns síndicos, pois acredita que tudo pode ser resolvido de forma pacífica e em comum acordo.

"As maiores reclamações eram referentes à aglomeração em frente ao bar. Por isso, restringi o fumódromo ao limite de quatro pessoas. O som era alto, mas coloquei vidro para impedir a saída e contratei uma engenheira de som que vai me auxiliar ainda mais na redução de ruídos. Eu sempre me coloquei à disposição para equacionar qualquer tipo de problema", afirma.

Com relação às brigas e outros problemas relacionados à rua, o gerente afirma que proíbe que os clientes saiam com garrafas de vidro, colocou mais quatro seguranças externos para dispersar possíveis aglomerações e mantém acordo com motoristas de Uber para facilitar a condução dos clientes.

"Também venho mantendo reuniões com a Ouvidoria de Prefeitura para buscar uma solução conjunta para minimizar os problemas que surgirem. Não precisamos criar impasses, mas solucioná-los. Se houver união, podemos resolver as questões pontuais", finaliza.

MP.

A situação entre os moradores e o bar chegou ao Ministério Público pelas mãos do vereador Benedito Furtado (PSB). Ele descobriu que o Six não tem alvará de funcionamento. "Porém, por razões inexplicáveis, até o momento, nenhuma atitude foi tomada pelas autoridades públicas no sentido de impedir a continuidade das atividades irregulares", informa o parlamentar.

Para Furtado, "uma casa noturna jamais poderia estar funcionando no local. Por tudo exposto, aguarda-se que se tome as providências necessárias para que seja intimada a autoridade municipal (Prefeitura) afim que tome as medidas cabíveis com urgência", pede o vereador.

PREFEITURA.

A Secretaria de Finanças informa que o estabelecimento está com o processo de alvará em tramitação. A atividade no local é permitida, conforme lei de uso e ocupação do solo, inclusive porque ali já existia um bar que funcionava com música ao vivo.

O estabelecimento está sendo fiscalizado pelos setores de Posturas e do Meio Ambiente, e qualquer tipo de excesso quanto ao sossego ou outras irregularidades será autuado conforme as legislações municipais em vigor. "As ocorrências registradas na Ouvidoria foram respondidas e encaminhadas para os órgãos competentes, que adotaram as medidas previstas na legislação", afirma em nota.