A possibilidade de mudança de local da feira livre, no bairro da Pompeia, em Santos, tem causado uma mobilização por parte de munícipes que estão realizando um abaixo-assinado para evitar a alteração.
A feira é realizada aos sábados, na Avenida Francisco Glicério, na pista sentido Avenida Pinheiro Machado (Canal 1). Segundo os moradores, a Prefeitura quer colocar a feira no outro lado da pista, sentido Avenida Bernardino de Campos (Canal 2). As obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é o principal motivo para a troca de local.
“Tudo muito obscuro. Nós descobrimos que já está tudo definido para vir para cá, mas ninguém assume nada”, comentou a engenheira Regina Cammarosano, subsíndica de um prédio na avenida.
Segundo Regina, a ideia é coletar cerca de mil assinaturas e entregá-las aos vereadores. A estimativa é que 800 pessoas já tenham assinado o documento contra a alteração.
“Essa feira está aqui há muitos anos. Nós propusemos como solução que ela continue, só que mais compactada. Se você andar na feira, ela tem buracos enormes. Se o problema maior é aquele canto onde fica a estação (do VLT), a feira termina antes. O que estamos pedindo também é que ela termine um pouco mais cedo. Tem banca que, às 15h30, ainda está fechando. Tudo já está limpo e os lixeiros ficam esperando o pessoal desmontar a banca”.
Outra sugestão também apontada pelos munícipes é a mudança da feira para a Rua Marquês de São Vicente, que fica do outro lado da linha do VLT. Entretanto, segundo a própria subsíndica, seriam necessários outros 150 metros de calçada na via para que a feira fosse instalada lá. “Pelo que falei com o proprietário do restaurante que fica ao lado da linha, tudo que a Prefeitura pede, a empresa do VLT faz. A Prefeitura exigiu jardins ali. Se tivesse exigido 150 metros de calcada, dava para ter feito ali”.
Desvalorização
Outra preocupação dos moradores é a desvalorização do imóvel. Apesar da alteração ser, a princípio, em caráter provisório existe o temor que a mudança se torne definitiva. “Conversei com um corretor que está vendendo apartamentos em um edifício que foi construído agora. Com uma feira na porta, um imóvel perde pelo menos 20% de valorização. Com uma crise dessas ainda, esse número sobe para 30% ou 40%”.
“Primeiro estamos com o abaixo-assinado. Depois, se isso não resolver vamos pedir uma audiência pública. Alguma coisa temos que fazer. Não estou afim de desvalorizar meu imóvel. Não quero abono de IPTU, eu não quero a feira na minha porta”, completou Regina.
Prejuízo ao comércio
Quem também deve sofrer caso haja a alteração é o comércio da região. “Tem um rapaz que trabalha lavando carros que me disse: ‘Dona Regina, se eu tiver que fechar aqui no sábado, eu vou demitir meus funcionários’”, contou a subsíndica.
De acordo com Regina, os próprios feirantes também não concordam com a ideia, pois a alteração resultaria também em algumas mudanças de via, impossibilitando o estacionamento de caminhões nas ruas próximas.
Quem também aponta para um cenário de prejuízo é Luis Carlos Eboli Villamarin, proprietário de um posto de gasolina na Avenida Francisco Glicério. “Terei que mandar funcionário embora porque o posto vai ficar fechado no sábado, pelo menos, até às 16 horas. Vai complicar bem. Ainda nem sabemos como vai ser isso”.
De acordo com Villamarin, ainda não há muitas informações, mas ele demonstrou apoio a iniciativa do abaixo-assinado. Apesar de ainda não ter uma estimativa de prejuízo, ele ressaltou que sábado é o dia de maior lucro do estabelecimento.
“É um prejuízo bem grande porque sábado é nosso maior movimento, tanto de lavagem quanto de abastecimento. Em um momento de crise, um posto fechado até 16 horas de um sábado. É uma estimativa de prejuízo grande”.
Ainda em estudo
Questionada sobre a situação, a Prefeitura de Santos respondeu que a feira livre irá mudar provisoriamente por conta das obras do VLT. A Administração também disse que mantém conversas com moradores e comerciantes para fazer a mudança de modo a não prejudicá-los, tendo a Ouvidoria do Município destacado uma equipe para trabalhar somente nesta questão.
A Prefeitura ressaltou que ainda não há previsão para a alteração e que também não há uma definição para qual local será deslocada a feira. A Administração destacou que ainda está estudando todas as possibilidades de forma a gerar o menor transtorno possível.
