Moradores do São Manoel, Vila dos Criadores e Piratininga querem melhor atendimento

Eles promoveram ontem uma manifestação popular em defesa dos direitos ao atendimento de qualidade, humanizado e gratuito

Comentar
Compartilhar
11 JUN 2021Por Carlos Ratton07h30
Moradores seguram faixa pedindo atenção para a periferia da CidadeMoradores seguram faixa pedindo atenção para a periferia da CidadeFoto: Nair Bueno/DL

Moradores do Jardim São Manoel, Vila dos Criadores e Jardim Piratininga, em Santos, promoveram ontem uma manifestação popular em defesa dos direitos ao atendimento de qualidade, humanizado e gratuito. O ponto de encontro foi na Avenida Bandeirantes, 598, no Piratininga, e eles seguiram até a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Piratininga.

Em contato com a Reportagem e pelas redes sociais, os manifestantes revelam que, assim como muitos outros direitos conquistados com muito sangue, suor e luta ao longo da história, o direito a um sistema público de saúde universal, gratuito e humanizado vem sendo alvo de constante subfinanciamento, levando o Sistema Único de Saúde (SUS) a um profundo desmonte que atinge violentamente a população que mais precisa deste serviço fundamental.

A organização do protesto lembra que até o início dos anos 80, o acesso ao sistema de saúde era garantido somente aos trabalhadores formais, com carteira assinada, ou seja, para a população desempregada ou na informalidade, o atendimento básico de saúde era negado. Com a Constituição de 88 e a garantia formal do direito a um sistema público de saúde com qualidade, o acesso se universaliza a todas e todos por todo território nacional.

No entanto, completa, com o avanço das políticas neoliberais de "cortes de gastos" e privatizações, o SUS foi duramente atingido e, consequentemente, toda a população que dele depende. Só a luta organizada dos trabalhadores e trabalhadoras pode garantir o direito fundamental a um sistema de saúde de qualidade, gratuito, humanizado e universal que atenda às suas demandas com dignidade, e para isso, a participação popular no controle e gestão dos serviços públicos prestados é fundamental.

Crislayne Gabriela Teixeira Barbosa, da Vila dos Criadores, revela que não existe água e energia legalizados. "Dois médicos praticamente atendem três comunidades. O descaso é imenso. Propagam que as demandas são atendidas e, na realidade, não são. A gente merece moradia e saúde dignas", afirma.

Os moradores também reivindicam junto à Prefeitura a recontratação do médico Walter Titz, que atendeu nos últimos seis anos na policlínica do Jardim Piratininga, ampliando atendimento aos moradores do Jardim São Manoel, que também o procuravam, mesmo tendo policlínica no local e na Vila dos Criadores.

ANTERIOR.

O descontentamento com o atendimento à saúde pública em Santos não é novidade. As pessoas se queixam de demora, superlotação, falta de funcionários e até medicamentos. Recentemente, no Jardim São Manoel, mulheres fizeram uma manifestação em frente à policlínica do bairro para chamar a atenção de vereadores e da Prefeitura sobre a falta de medicamentos que, segundo elas, ocorre antes mesmo da pandemia de Covid-19.

A Reportagem esteve no local e recebeu, das mãos das lideranças do bairro, uma lista de inúmeros remédios que faltam nas farmácias da rede municipal. Também já reclamavam de falta de atendimento humanizado e de estrutura para os funcionários.

PREFEITURA.

A Secretaria de Saúde informa que os moradores do São Manoel e Piratininga são atendidos pelas respectivas policlínicas e que, em nenhum momento, a Policlínica Piratininga ficou sem médico para atender a população.

Sobre Walter Titz, explica que se desligou em 31 de maio, quando expirou o prazo limite de seis anos da prestação de serviço por meio do programa Mais Médicos. A pasta propôs ao profissional sua contratação para continuar a atender na unidade, por meio do regime Recibo de Pessoa Autônoma (RPA), mas o mesmo não respondeu. Desde então, um outro médico foi destacado para a referida policlínica.

Sobre os medicamentos no São Manoel, já havia revelado que alguns medicamentos não estavam na lista padrão, outros foram proibidos e mais alguns estavam em processo de aquisição.