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Cotidiano

Moradores do Jardim Nova República entregam documentos que garantirão escrituras de suas casas

Essas famílias são remanescentes das que foram transferidas, há três décadas, de áreas de risco, como manguezais, morros e área industrial

Da Reportagem

Publicado em 19/10/2018 às 20:00

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Secretaria da Habitação promove, no bairro, mutirão de atendimento nesta sexta-feira (19) e amanhã, sábado (20) / Divulgação/PMC

Na manhã desta sexta-feira (19), Maria de Lourdes Souza de Oliveira, 67anos, moradora do Jardim Nova República (Bolsão 9), acordou mais cedo e dirigiu-se ao Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), situado perto de sua casa, na Rua Januário Cândido Pontes. Estava feliz, pois tinha uma missão importante a cumprir: entregar a documentação que lhe permitirá obter a escritura definitiva da casa em que mora há 30 anos no bairro.

Maria de Lourdes faz parte de uma das 1080 famílias do Jardim Nova República que começaram a ser atendidas em um mutirão organizado pela Secretaria Municipal da Habitação destinado a recolher a documentação que será enviada ao Cartório de Registro de Imóveis para expedição das escrituras.

Essas famílias são remanescentes das que foram transferidas, há três décadas, de áreas de risco, como manguezais, morros e área industrial. A transferência foi assegurada pela Lei Municipal nº1783, que criou o projeto Jardim Nova República. O dispositivo permitiu à Prefeitura construir 1080 casas para abrigar as famílias transferidas. A maioria delas é proveniente da Vila Parise, núcleo que até fins dos anos 1980 estava encravado na zona industrial de Cubatão, na época considerada a região mais poluída do mundo, apelidada pela imprensa internacional de "Vale da Morte".

Maria de Lourdes é uma das pessoas que foi transferida da Vila Parise. Vinda de Pernambuco, havia chegado ao bairro, com marido e dois filhos, em 1974. A poluição da vila não é o problema que lhe traz as piores recordações daquela época. "O que a gente mais sofria era com as enchentes", lembra.

A mudança para o Jardim Nova República foi positiva porque, segundo Maria de Lourdes, ela ganhou uma casa nova e ficou livre das enchentes. Mas havia muitos problemas a serem enfrentados: as ruas eram sem pavimentação, não havia escolas, nem equipamentos de atendimento à saúde por perto. "Mas, nestes 30 anos, aos poucos os benefícios foram chegando e o bairro hoje está completo. Aqui vivi com meu marido, que morreu há 15 anos, e criei sete filhos, hoje todos casados. Só faltava, mesmo, a gente ter a escritura da casa  para a felicidade ser completa. E  esse sonho agora começa a ser realizado", disse.

Maria de Lourdes foi a primeira a ser atendida no muitirão da Secretaria da Habitação (SEHAB). Segundo a secretária Andrea Maria de Castro, ele será realizado em quatro fases. Na primeira, serão atendidas 315 familias, em dois dias. O atendimento desta sexta-feira foi marcado para o período das 9 às 16h30 e amanhã, sábado, vai  das 9 ás 12 horas.

Para dar agilidade ao atendimento, as famílias foram visitadas, de casa em casa, há uma semana, por equipes da SEHAB, que prestaram esclarecimentros sobre o tipo de documento que deveriam levar e entregaram senhas.

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