Moradores do Humaitá reclamam de atrasos dos ônibus

Usuários dos coletivos se dizem obrigados a, além de calcular o tempo do trajeto, acrescentar a ele o período dos previsíveis atrasos das linhas

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02 NOV 2017Por Da Reportagem10h30
Os moradores do Humaitá, em São Cicente reclamam de atrasos dos ônibusFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Por Caroline Souza

“Sempre atrasa”. A afirmação vem da maioria dos usuários do transporte público intermunicipal no Bairro do Humaitá que, entrevistados pela reportagem do Diário, na última terça-feira, relataram uma espera de até 40 minutos no ponto final.

Usuários dos coletivos se dizem obrigados a, além de calcular o tempo do trajeto, acrescentar a ele o período dos previsíveis atrasos dos ônibus para, assim, evitarem os retardos em seus compromissos. Exemplo disso é o relato da ­moradora do Humaitá, Joyce ­Oliveira, que trabalha em Santos como a designer de sobrancelhas. “Tenho que sair antes de casa para não perder a hora do serviço. O ônibus às vezes atrasa 40 minutos”, ­explica.

O site da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) informa que o tempo total de percurso da linha 942 – São Vicente (Humaitá) / Santos (Ponta da Praia), utilizada por Joyce, é de 1h20. A jovem não vai até o final do percurso, mesmo assim chega ao ponto final com bastante antecedência. “Saio duas horas antes do meu horário de entrada no trabalho”, complementa.

A atendente Ingrid Lima utiliza a mesma linha diariamente para trabalhar e também reclama dos atrasos constantes. “Não tenho nenhum elogio para fazer! Os ônibus sempre atrasam e lotam bem rápido, mesmo fora dos horários de pico”, ­afirma.

Além dos atrasos, Ingrid alerta para a falta de cobertura no ponto desse mesmo local. “A cobertura caiu há algum tempo e até agora ninguém arrumou”, comenta.

Atrasos podem acontecer por causa de viaduto, diz EMTU

A reportagem entrou em contato com a EMTU para verificar as reclamações. De acordo com a assessoria, a linha 942 oferece 82 partidas diárias e os atrasos podem ter ocorrido em função da interdição do Viaduto Mário Covas, em São Vicente. Por conta disso, o itinerário sofreu alterações na região da rodovia dos Imigrantes, com aumento do tempo de viagens de ida e volta para Santos.

Sobre a falta de cobertura do ponto final da linha 942, a EMTU informou que entrou em contato com a concessionária BR Mobilidade e a mesma garantiu que a reforma será concluída até o dia 10 de novembro.

Contrariando as declarações dos usuários, a empresa afirma que as partidas dos coletivos do ponto final ocorrem com intervalos médios de oito minutos no horário de pico da manhã.

População não crê em promessa de VLT para a Área Continental

Todos os moradores da Área Continental com quem a reportagem do Diário do Litoral conversou concordam que o VLT facilitaria muito suas vidas, mas não acreditam que ele chegará à região.

Questionado sobre como o VLT contribuiria para a locomoção de quem mora na região, Valdemar de Souza, morador do Samaritá, começa a fazer as contas de há quanto tempo ouve essa promessa.

“Minha filha tem 13 anos e acho que mesmo antes dela nascer já prometiam trazer o VLT para cá. Demorou muito para entregarem como está agora. Se vier para a Área Continental, vai demorar mais no mínimo uns 20 anos. Não estou sendo pessimista, apenas realista”, lamenta.

Apesar de parecer exagero, as contas do Valdemar estão certas. Encontramos uma reportagem do Jornal Diário do Litoral de 2001, em que o então secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Cláudio de Senna Frederico, estimava que a implantação do VLT entre Santos e a Área Continental de São Vicente estava prevista para 2003, 14 anos atrás.

Souza alerta que a região tem uma população muito grande, mas mesmo assim fica esquecida pelos governos. “Já andei de VLT, achei confortável e rápido, facilitaria a vida de quem mora aqui, pois não temos infraestrutura e sempre precisamos nos deslocar para outros lugares de São Vicente ou ir até Santos”, complementa.

A aposentada Denise Ferreira, que mora no Humaitá, utiliza o transporte público intermunicipal principalmente para ir ao médico em Santos, onde faz tratamentos de saúde. “O VLT facilitaria muito a vida de quem mora aqui, mas dizem que não tem estrutura para passar pela ponte”, comenta.
Além disso, Joyce Oliveira e Ingrid Lima concordam que o transporte só será realmente útil se chegar até o Humaitá ou tiver algum tipo de integração. Caso contrário, o valor gasto em passagens não vai compensar.

Como está hoje

Atualmente, o VLT tem 11,5 km de extensão e 15 estações que ligam o Terminal Barreiros, em São Vicente, até o Terminal Porto, em Santos.

No dia 24 de outubro, o ­Conselho Estadual do Meio ­Ambiente (Consema) aprovou o estudo de impacto ambiental prévio da obra que prevê a segunda fase do VLT, ligando a Avenida Conselheiro Nébias até a região do Valongo.

Pelo projeto, essa segunda fase terá 8,2km e 14 estações ­passando por vias como Campos Melo, Dr. Cochrane, João Pessoa, Visconde de São ­Leopoldo, ruas São Bento, Visconde do Embaré, Amador Bueno, da Constituição e Luiz de Camões.

Agora, Cetesb fica responsável pela concessão da licença prévia ambiental para o ­empreendimento. Essa licença é o último requisito para a ­abertura do edital de contratação da obra, que ficará a cargo da EMTU.