Moradores de rua causam preocupação em Itanhaém

População de rua aumenta no Centro da Cidade, em especial, nesta época

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14 JAN 2020Por Nayara Martins07h30
Segundo a Administração Municipal, a cidade conta atualmente com 78 moradores de ruaFoto: Nair Bueno/DL

Ao caminhar pela região central de Itanhaém, especialmente nos finais de semana, é bem comum ver moradores de rua tanto na Praça Narciso de Andrade como nas vias de acesso ao Centro. Esse problema, que já acontece há alguns anos, vem causando preocupação a comerciantes e moradores da cidade. É justamente neste período de temporada de verão que esse público aumenta bastante.

A reportagem do Diário do Litoral esteve no centro de Itanhaém para ouvir alguns comerciantes. Além dos moradores de rua, a região central também é o local escolhido por usuários de drogas e alcoólatras que dormem nas ruas.

Proprietário de um dos restaurantes, localizado em frente à Praça Narciso de Andrade, Marcelo Zanirato, afirmou que o problema é antigo e bastante preocupante, e que se agrava na alta temporada.

"Neste período cresce o número dos moradores de rua que vêm de outras cidades. Eles pedem comida e, no início, chegamos a dar para algumas pessoas, mas não temos como atender a todos. "Segundo ele, o número de moradores de rua é bem maior nos finais de semana e nos finais de tarde, ao terminar a cobrança da zona azul no centro.

"É um problema social bastante grave no município. Já conversamos com a Secretaria de Assistência Social da prefeitura, mas nem o poder público municipal consegue solucionar essa situação", desabafa. Para o comerciante poderia haver uma ação conjunta entre a prefeitura de Itanhaém e o Ministério Público para buscarem uma saída.

Um dos espaços que serve como abrigo aos moradores de rua é o Coreto, localizado no calçadão da Praça Narciso de Andrade, no centro histórico. Conforme o comerciante, é nesse espaço onde eles dormem à noite.

A vendedora Ellen Rocha, que trabalha em uma padaria na rua João Mariano, diz que esse problema também incomoda o público. "Muitos clientes reclamam e ficam intimidados ao serem abordados pelo morador de rua. Algumas mulheres de rua entram na padaria com crianças e pedem algo para comer, mas não podemos permitir".

Lembra ainda que os profissionais da Assistência Social visitam as ruas do centro e conversam com eles. "Essas pessoas são levadas aos abrigos da cidade, mas após algum tempo, todos acabam voltando ao centro, limpos e de cabelo cortado", completa.

O presidente da Associação Comercial de Itanhaém (ACAI), o empresário Roberto Campos, afirma que esse problema social com os moradores de rua não ocorre só em Itanhaém, mas em todo o País.

"O que observamos é a mudança desse tipo de público, que vem, na maioria, de outras cidades. Muitos deles são usuários de drogas e alcoólatras, e não querem ir para um abrigo, mas estar nas ruas do centro", salienta. Apesar de reconhecer o trabalho já realizado pela Assistência Social do município, Campos diz que ainda há muito a avançar.

"É fundamental cobrarmos mais ação do Poder Público municipal, para agir de forma mais efetiva no centro histórico, e também do Governo do Estado para garantir a segurança à população". Diz ainda "alguns comerciantes também oferecem alimento a essas pessoas por medo e ter uma relação de confiança".

Uma das ações da ACAI, em parceria com entidades assistenciais do município, é oferecer cursos de qualificação profissional às pessoas mais carentes. Na opinião do empresário somente com um trabalho sério para recuperar esse público, feito em parceria com outras cidades da região, poderia se obter melhor resultado a longo prazo.

Outro lado

A Prefeitura de Itanhaém informa que, atualmente, o município conta com 78 pessoas em situação de rua na Cidade. Desse total 43% são munícipes de Itanhaém. E que neste período de temporada, esse número cresce por ser uma cidade turística.

O município conta com o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro POP, que realiza um trabalho de abordagem social com a população em situação de rua. O local recebe, por dia, cerca de 30 pessoas que tomam café da manhã, banho e passam por atendimento. Os profissionais buscam restabelecer a consciência desta população sobre o morar nas ruas, buscando a recordação afetiva por meio das conversas individuais ou em grupo, incentivando o indivíduo a voltar para a família.

Existe ainda um abrigo institucional, de longa permanência, mantido pela ONG Escola de Pais do Brasil. Atualmente, a casa de acolhimento possui 14 pessoas, mas disponibiliza 25 vagas para pessoas de rua, com idade entre 18 a 60 anos. Ambos os locais ficam na Rua Cunha Porã, 342, no bairro Nova Itanhaém.

Sobre o atendimento aos usuários de drogas e alcoólatras também é realizada a abordagem social pela equipe do Centro POP. Após o atendimento, caso for da vontade do indivíduo, ele é encaminhado para comunidades terapêuticas, que atuam em parceria com o Centro Pop e disponibilizam vagas para dependentes químicos. Porém, segundo a prefeitura, há um grande número desta população que recusa atendimento e prefere ficar na rua.