Moradores criticam obra no Jardim Guaramar em Praia Grande

O espaço onde o atual prefeito do município, Alberto Mourão, teria prometido instalar uma área de convivência, será usado para erguer um conjunto habitacional pelo ‘Minha Casa, Minha Vida’

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08 JAN 2018Por Rafaella Martinez11h19
O campo de futebol, com as traves instaladas recentemente pela Administração, era a única opção de lazer para as crianças do bairroFoto: Rodrigo Montaldi/DL

"- Tia, o que vai ser aqui?
- Pela placa, parece que vão construir alguns prédios
- Ah, pensei que ia ser o parquinho”

A fala do menino de oito anos, que insistia em empinar pipa do alto da montanha de cascalho fino instalada no Campo 13 de Maio, no Jardim Guaramar de Praia Grande, reflete também o pensamento de boa parte dos moradores do bairro.

O espaço onde o atual prefeito do município, Alberto Mourão, teria prometido instalar uma área de convivência será usado para erguer um conjunto habitacional pelo ‘Minha Casa, Minha Vida’. O campinho fica na esquina das ruas Maximino Domingues Grácio e a Avenida Senador Azevedo Junior. Em outubro deste ano, inclusive, o vereador Romulo Brasil Rebouças (PSD) protocolou um requerimento solicitando estudos para implementação de um campo de futebol fechado no espaço, a pedido dos moradores.

“Nesta área já deveria ter sido construído a área de lazer e um playground para as crianças de 5 a 10 anos que frequentam o local diariamente o espaço, além de atividades para jovens. Os moradores estão organizando um abaixo-assinado solicitando que mantenham esta área para uso público da comunidade”, afirma o morador Fernando Gama.

O campo de futebol, com as traves instaladas recentemente pela Administração, era a única opção de lazer para as crianças do bairro.

“A Prefeitura gastou dinheiro, limpou a área, colocou as traves e prometeu melhorias para as crianças. Ai um belo dia decidiram que aqui seria um bom lugar para esses conjuntos habitacionais ficarem. É um absurdo. Não tem nenhuma opção de lazer para as crianças aqui no Guaramar”, afirma Marcio Juvenal, morador do bairro há mais de 30 anos.

“Colocaram as placas na véspera do Natal. Ninguém falou nada para a gente. Um desses empreendimentos será construído praticamente encostado no muro da minha casa. Como vão fazer isso? Querem construir um cortiço de luxo?”, questiona uma moradora que prefere não se identificar.

Prefeitura diz que área é destinada para imóveis

Em nota, a Prefeitura de Praia Grande afirma que inicia em janeiro a construção do Conjunto Residencial Sítio do Campo I-C. Os recursos foram obtidos por meio de convênios com a Caixa Econômica Federal – CEF e fazem parte de um pacote de investimentos para a construção de seis conjuntos residenciais, totalizando 206 unidades habitacionais, nos Bairros Sítio do campo, Antártica e Vila Sônia, pelo Programa Minha Casa Minha Vida, e revitalização de trecho do calçadão da orla do Bairro Caiçara, totalizando cerca de R$ 19,5 milhões.

De acordo com o titular da Secretaria de Habitação Antonio Eduardo Serrano, apesar de utilizado desde abril do ano passado como uma pequena área para recreação, o terreno desde 2015 já tinha como destinação a construção de unidades habitacionais. “Tem gente confundindo as áreas: o terreno do campo de futebol permanece. A área voltada para a Rua Azevedo Júnior, que não faz parte do campo é onde será construído o conjunto. Sabemos que com a limpeza, nivelamento da área e colocação de areia a Prefeitura, a pedido da comunidade, colocou o local à disposição para entretenimento e lazer, mas só até que o processo finalizasse. Como combinado, ela será utilizada para o fim à que se destina, que é o Conjunto. A Cidade tem um déficit e a Administração Municipal está buscando meios de minimizá-lo. A obra beneficiará principalmente a parcela da população com renda familiar de até R$ 1,8 mil, que é a mais carente”.

Cada unidade terá área com aproximadamente 45 m² e as seguintes dependências: dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço. As áreas onde serão construídos os conjuntos terão total infra-estrutura.

O custo de cada unidade será de aproximadamente R$ 95 mil.