O Lar Vicentino comemorou com muita festa o aniversário dos idosos do mês de julho, na última sexta-feira (28). Ao som de ‘I Will Survive’, ‘Conga Conga Conga’ e apresentação de grupos de dança, os cerca de 50 idosos que vivem no local se divertiram no salão, entre eles, os quatro aniversariantes. Para dona Angélica Pedro dos Santos e Virgilina Pereira Fernandes o bolo teve um gostinho especial já que elas celebraram 101 anos de vida. Josefa Freire dos Santos Nunes fez 89 e Lucrécio Soares Serrano foi o caçula do mês, completando 86 anos.
Dona Angélica contou com a presença da sobrinha, Florivalda Rodrigues Alves, de 83 anos. Ela contou que a tia centenária casou três vezes, não teve filhos porque não quis e ficou viúva dos três. No primeiro casamento, chegou a trabalhar no garimpo junto com o marido, na Chapada Diamantina. O segundo esposo foi estivador e depois do falecimento do terceiro, Angélica precisou de um lugar para ficar.
“Eu não podia cuidar dela porque trabalhava o dia todo. Então conversamos e decidimos que aqui seria um bom lugar. Ela não gostou da ideia no início, mas depois fez amizades e se acostumou”, explicou Florivalda.
Angélica mora no Lar Vicentino há 14 anos, chegou em 2003, com 87 anos. Carrega rastros de um AVC e quase não enxerga mais. Sentada atrás da mesa do bolo com os amigos aniversariantes, tentou balbuciar algumas palavras para contar quem foi ela nesses 101 anos, mas a história já não saiu. Porém, pelas palmas que saiam de suas mãos ao acompanhar o ritmo das canções, nota-se que alegria não lhe falta.
Virgilina está na casa há cinco anos. Acometida pelo Alzheimer, também não pôde dividir como foi sua vida nesses 101 anos, mas se mantém ativa e observadora. De acordo com a sobrinha, Silvania Gomes Pereira de Almeida, a tia casou-se uma vez e ficou viúva depois de bastante tempo de matrimônio.
“Ela morou muitos anos em um apartamento que tenho aqui em Santos, mas quando os sintomas da doença começaram a aparecer, já não sabia mais como voltar para casa. Eu moro em São Paulo e cuido da minha mãe que também é idosa, então a chamei para ir morar comigo, mas ela não quis, disse que o lugar dela era aqui. Então achamos esta casa e ela veio feliz porque ia conviver com outras pessoas”, explicou Silvania.
Segundo ela, o apartamento onde a tia morou ainda está como ela deixou quando se mudou para o Lar Vicentino. “Não quis mudar nada lá porque sempre tem a esperança da melhora, né?”, conta.
Dona Josefa ainda é lúcida e comemorou os 89 anos ao lado do filho Gilson Nunes e da nora. “Eu estou feliz porque fiz muitos amigos aqui. A gente passeia, pega sol, conversa. A companhia deles faz bem para mim”, explica. Ela está há quatro meses na nova casa.
O senhor Lucrécio também foi acometido pelo Alzheimer e não recebeu nenhum familiar para comemorar o aniversário. Mais silencioso, aproveitou a festa à sua maneira e prestou atenção no grupo de dança que animou o salão.
Segundo a assistente social do Lar Vicentino, Kelly Farias, nenhum aniversário passa em branco por lá e os moradores adoram festa. “É importante o contato com novas pessoas e estes estímulos de música e dança para eles”, explica.
Além da equipe que trabalha diariamente, o local recebe voluntários que 18 a 60 anos que oferecem diversos tipos de trabalhos, inclusive o principal para quem se encontra ali: companhia.
Para quem deseja ser voluntário ou pretende fazer alguma doação basta entrar em contato pelo telefone (13) 3468-5750.
