Morador de Cubatão questiona corte de árvores em obra da CPFL

Ele cita que a remoção das árvores foi feita de maneira descontrolada e registrou a queda de uma delas em cima de uma casa, no dia 5 de março

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31 MAI 2021Por Vanessa Pimentel13h21
Secretaria de Meio Ambiente disse que a concessionária é responsável pela faixa onde estão instaladas as torres de alta tensão, e que ao longo de todo o percurso das linhas de transmissão é vedada a presença de árvores com grandes copas.  Secretaria de Meio Ambiente disse que a concessionária é responsável pela faixa onde estão instaladas as torres de alta tensão, e que ao longo de todo o percurso das linhas de transmissão é vedada a presença de árvores com grandes copas.  Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Um munícipe cubatense, que preferiu não se identificar, entrou em contato com o Diário do Litoral para denunciar uma obra que está sendo feita na Rua das Flores, na Vila Natal. 

Segundo ele, a obra parece ser um cercamento de linhas, realizada pela CPFL Piratininga, porém com a remoção de árvores de maneira descontrolada, inclusive com registro da queda de uma delas em cima de uma casa, no dia 5 de março deste ano. 

A reportagem questionou a CPFL para saber que obra está sendo feita e se havia autorização para o corte dos vegetais. Em resposta, a companhia informou que as obras são de adequação das faixas de transmissão e da calçada de seu terreno na Rua das Flores, ambas autorizadas pela secretaria de obras da prefeitura de Cubatão. A previsão é que sejam concluídas em julho. 

A distribuidora esclareceu ainda que a queda das árvores ocorreu em razão de um vendaval que atingiu a cidade no dia 5 de março e que, para preservar a segurança da população e dos colaboradores, realizou a poda e remoção de algumas espécies.

Essa versão é questionada pelo munícipe, porque, de acordo com ele, realmente ventou neste dia, mas não foi um vendaval e as espécies caíram porque as raízes tinham sido cortadas durante a obra, “inclusive, as árvores que estão lá ainda estão em risco, porque não há árvore que fique em pé sem raiz”, diz. Ele também enviou fotos que mostram o estado que os vegetais se encontram atualmente. 

 

O DL questionou também a prefeitura e, por meio de nota, a Secretaria de Meio Ambiente disse que a concessionária é responsável pela faixa onde estão instaladas as torres de alta tensão, e que ao longo de todo o percurso das linhas de transmissão é vedada a presença de pessoas, equipamentos, veículos e, também, de árvores com grandes copas.   

O secretário de Meio Ambiente Halan Clemente explicou que essa restrição é necessária para garantir a segurança. “Há a possibilidade da ocorrência de corrente de fuga, um fenômeno físico em que a energia elétrica vence a resistividade do ar e é atraída por algo sob a rede de alta tensão”. 

De acordo com o secretário, esse fenômeno é potencializado na atmosfera úmida, como a da cidade, bem como com a presença de sais em suspensão na atmosfera. 

Sobre a área citada, Clemente disse que a queda dos vegetais foi acompanhada por técnicos da Secretaria de Meio Ambiente. “As árvores que sofreram quedas ou foram removidas são da espécie fícus Benjamina. Esse vegetal é intrusivo, exótico, com raízes superficiais”. 

Clemente alertou que vários municípios no país proíbem o plantio desse tipo de vegetal em razão dos danos que provoca no pavimento e nas redes de drenagem. “Há risco severo de queda em razão da falta de sustentação ao solo, por conta das características de suas raízes, superficiais”, reforçou.