Estação de monitoramento dos morros de Santos está desativada

Implantado em 2015, na policlínica do Marapé, equipamento deveria alertar a Defesa Civil sobre perigos de deslizamentos em áreas de risco

A Estação Total Robotizada (ETR), instalada em uma sala da Policlínica do Marapé (Rua São Judas Tadeu, 115), para monitorar os morros da Cidade, está há tempos desativada. A Reportagem esteve no local e constatou a situação junto a vários funcionários, que não souberam precisar desde quando o equipamento deixou de ser um aliado da Defesa Civil santista.

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Após descobrirem que se tratava de uma equipe do Diário, os funcionários pediram para não serem identificados por motivos óbvios, mas completaram a informação alertando que desconheciam a sala-base específica para a estação e que os técnicos que faziam a manutenção do suposto receptor de dados sobre o prédio há meses não aparecem para garantir o funcionamento do equipamento.

A estação foi implantada em dezembro de 2015 e a Prefeitura de Santos propagou que era uma das mais modernas do Mundo. No entanto, na tragédia ocorrida a região em função do temporal da última terça-feira, a Defesa Civil foi surpreendida por mais de 120 chamados no São Bento, Caneleira, Bufo, Fontana, Santa Maria, Pacheco e Saboó. 

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Segundo informado há cinco anos, foram instalados 100 sensores de alerta para movimentação do solo nas encostas dos morros. Foram instalados prismas em áreas de risco ou alto risco de deslizamento de terra. Os sinais emitidos permitiriam captar movimentação de terra. 

Porém, outra prova que o equipamento estaria desligado é a situação ocorrida na residência do motorista de aplicativo, Carlos Alfredo de Oliveira e toda sua família – mulher, filha e neta – morador da Avenida Doutor Nilo Peçanha, 140, publicado pelo Diário. Ele mora a poucos metros da Policlínica do Marapé.  

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O escorregamento de terra destruiu de parte do muro de arrimo que protege sua casa, construído pela própria Prefeitura. Oliveira garante que ligou três vezes para a Defesa Civil e não obteve retorno e sequer uma visita. A Reportagem não viu qualquer iniciativa no local para garantir a segurança do imóvel e integridade física da família.

A estação faz parte do Projeto Sensores Geotécnicos de Monitoramento de Deslizamentos, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais (Cemaden), mantido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. A ETR foi instalada para cobrir um horizonte de 360 graus com alcance de até 2,5 quilômetros e conseguiria acompanhar com maior precisão a movimentação de terra no morro e suas encostas, considerados os pontos mais críticos. O monitoramento deveria estar sendo realizado 24 horas por dia.

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A Defesa Civil organizou reuniões com moradores para providenciar a assinatura de autorização para uso do espaço e esclarecer dúvidas sobre os sensores. Os sensores geotécnicos são muito utilizados em grandes obras da engenharia civil, como a construção de hidrelétricas, e em mineração, para monitorar e garantir a segurança dos trabalhadores.

Outro lado

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Defesa Civil de Santos esclarece que, em nenhum momento de sua história, deixou de monitorar a situação dos morros da cidade. A Estação Total Robotizada pertencia ao Cemaden, que a instalou no município, em caráter experimental (projeto piloto), como já havia sido informado ao Diário do Litoral, para pesquisas do Centro, e previa o monitoramento de partes do Morro do Marapé. Mesmo que estivesse em funcionamento, não emitiria sinais relacionados a qualquer movimentação nos demais morros da cidade, inclusive nos Morros da Caneleira (Tetéu) e São Bento, locais com vítimas fatais e desaparecidos.Conforme a própria reportagem do Diário do Litoral, a ETR tinha um alcance de até 2,5 quilômetros.

Em nenhum momento, conforme já colocado ao Diário do Litoral, a ETR excluiu qualquer procedimento de rotina da Defesa Civil de Santos, como o acompanhamento dos índices pluviométricos,  as vistorias e as ações previstas no Programa Preventivo de Defesa Civil (PPDC). Vale destacar que a cidade segue sendo monitorada tecnologicamente, por meio dos pluviômetros, radares meteorológicos.

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Em relação ao chamado do leitor Carlos Alfredo de Oliveira, a Defesa Civil respondeu na tarde de ontem (04/03) ao Diário do Litoral que foi realizada visita dos técnicos pela manhã desta quarta-feira (04/03), inclusive com registro fotográfico da equipe da Defesa Civil para futuras providências.

Mais informações, como o motivo da desativação da Estação e os investimentos feitos (que foram integralmente por parte do governo federal) devem ser obtidas junto ao Cemaden.