Mogi-Bertioga continua fechada, e universitários se viram para ir a aulas

A estrada seguirá fechada neste feriado prolongado, por 'questões de segurança', segundo o DER

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27 ABR 2018Por Folhapress09h40
Previsão é que as pedras soltas sejam fragmentadas e retiradas em até cinco diasFoto: Divulgação/DER

A universitária Aline Pereira, 21, está há 15 dias sem ir às aulas na UMC (Universidade de Mogi das Cruzes). Moradora de Boiçucanga, distrito de São Sebastião, no litoral norte paulista, ela depende da rodovia Mogi-Bertioga, fechada há duas semanas por causa de um deslizamento de terra e pedras.

Com o acesso fechado, Aline e outros estudantes que frequentam cursos em Mogi das Cruzes, na Grande SP, tiveram de incluir na rotina ao menos uma hora e meia a mais no trajeto entre suas casas, na praia, e a universidade.

No caso da estudante, que trabalha para pagar a faculdade, não tem sido viável pegar o fretado diariamente às 14h, em vez das 17h, como estava acostumada. O novo trajeto inclui o Rodoanel e a rodovia Anchieta.

"Pedi férias antecipadas no emprego para poder ir às aulas", afirma -ela voltará às aulas na quarta (2).
Se a rodovia Mogi-Bertioga permanecer fechada por mais tempo, Aline cogita trancar o curso de jornalismo, que frequenta há três anos. "Não sei mais o que fazer."

Para evitar perder as aulas, há estudantes do litoral como Jamille Oliveira, 25, que decidiu se mudar para Mogi temporariamente. Ela mora em Camburi, também em São Sebastião, e se mudou nas últimas semanas para o apartamento de amigos para conseguir comparecer às aulas de enfermagem.

Além do tempo maior de viagem, a passagem de ônibus para Mogi ficou mais cara. Subiu de R$ 11 para R$ 25 a taxa paga por quem tem carteirinha de estudante. "Agora só desço pro litoral em feriados."

O estudante de arquitetura Vinicius Silvestre, 20, também tem evitado subir a serra para ir às aulas desde que a rodovia foi interditada. "Só vou nos dias mais importantes. Trabalho e não posso sair mais cedo para pegar o ônibus."

A estrada seguirá fechada neste feriado prolongado, por "questões de segurança", segundo o DER (Departamento de Estradas e Rodagem), que gerencia a Mogi-Bertioga. Técnicos fizeram nova avaliação na manhã desta quinta, mas constataram que ainda há risco de pedras soltas se soltarem e atingir os veículos. "Seis [pedras], consideradas de grandes proporções [de até 500 m³ de massa], estão a 200 metros de altura, no topo do talude", informou o órgão, para dar a dimensão do risco.

A previsão, segundo o DER, é que essas pedras soltas sejam fragmentadas e retiradas em até cinco dias, quando nova avaliação será realizada para determinar a reabertura ou não da rodovia paulista.

A interdição que teve início no último dia 11 foi a terceira em três meses no mesmo trecho da rodovia devido a deslizamentos. Na ocasião, uma pedra de 200 toneladas rolou morro abaixo e foi parar no meio da pista. A pedra precisou ser dinamitada, e o muro de contenção que estava sendo reparado no mesmo trecho foi reconstruído. Ao todo, neste ano, a rodovia já completou 20 dias interditada.

Deni Loretti, diretor técnico do DER, atribui as recentes quedas de barreira ao volume de chuvas, mas reconhece a dificuldade de evitar que elas se repitam. "A água vai se acumulando em caminhos alternativos, não previstos no projeto de implantação. Neste ano, registramos sete novos pontos de acúmulo de água. É difícil prever onde vão ter novos deslizamentos. A força da corredeira provoca instabilidade", disse o técnico.

Por estar em uma região de serra, a Mogi-Bertioga tem praticamente metade de sua extensão sobre solo irregular, formado por pedras misturadas a partes arenosas.

O clima da Serra do Mar também ajuda a acelerar a deterioração dessas rochas enormes que formam a encosta até chegar ao nível do mar. O ambiente é serpenteado por rios e cachoeiras, além da amplitude térmica: calor de dia e frio e neblina à noite.

Por causa dessas características, apesar das obras de reparo, a gestão do governador Marcio França (PSDB) terá dificuldade em garantir a total segurança dos motoristas que trafegarem pela rodovia quando essa for reaberta.

O medo ainda ronda os estudantes que não se esquecem do acidente que matou 18 pessoas no ano passado, mas sem relação com queda de barreira. A estudante Aline lembra de tudo o que aconteceu porque estava no ônibus fretado que vinha atrás do que se acidentou. "Não há manutenção [nos veículos]. Na sexta-feira, o ônibus quebrou e eu quase perdi a prova na faculdade."