Cotidiano

Mistério da estatueta de 2.500 anos: peça achada no litoral de SP pode ter elo com povos dos Andes

A peça antropomorfa esculpida em gnaisse foi encontrada por Ricardo Krone em 1906 e permanece como um dos maiores mistérios sobre os povos pré-coloniais

Márcio Ribeiro, de Peruíbe para o Diário

Publicado em 26/03/2026 às 16:41

Atualizado em 26/03/2026 às 16:42

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

O achado localizado na região da Juréia-Itatins levanta questionamentos sobre como um objeto de arte tão refinado foi parar em um sítio de pescadores e coletores. / Reprodução

Continua depois da publicidade

A estatueta encontrada em 1906 na região de Iguape, litoral de SP, é considerada um dos maiores enigmas da arqueologia pré-colonial brasileira. A peça é uma figura antropomorfa estilizada, esculpida em gnaisse (rocha metamórfica), com 9 cm de altura, 8 cm de comprimento e 3,2 cm de largura. Apesar de lançar luz sobre os povos construtores de sambaquis, o achado deixou muitas perguntas sobre seu propósito, significado e real origem.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Iguape também é considerada a maior cidade do estado, com uma área de aproximadamente 2 mil km.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Encantadora cidade é a maior do estado e sua área supera a de São Paulo e Mônaco

• 'Princesa do Litoral': cidade é famosa pela natureza e pontos religiosos

• Maior município do estado de SP possui 70% de sua área protegida; saiba mais

A escultura foi encontrada pelo pesquisador teuto-brasileiro Ricardo Krone (1862-1917), a cerca de um quilômetro do Sambaqui do Morro Grande, entre o Rio das Pedras e o Rio Comprido, na atual região da Estação Ecológica da Juréia-Itatins.

A presença da estatueta em um sambaqui (sítio arqueológico de conchas) é um mistério, já que esses locais eram ocupados predominantemente por pescadores e coletores, cujos vestígios não costumam conter objetos de arte complexos dessa natureza. Acredita-se que a peça tenha alta importância para desvendar a origem dos primitivos habitantes da região.

Continua depois da publicidade

Artefato antropomorfoA estatueta original encontra-se no acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP / Reprodução

A estatueta original encontra-se no acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, em São Paulo, enquanto no Museu Municipal de Iguape encontra-se uma cópia. Sua idade, calculada pelo teste de Carbono-14, revelou que o objeto possui mais de 2.500 anos. A descoberta pode ajudar a entender a cultura desses grupos, sugerindo práticas rituais que ainda não são amplamente compreendidas.

Povos Andinos?

Pedro Delázari, historiador, lembrou que Ricardo Krone levantou a hipótese de que o achado seria proveniente de povos andinos, apesar de ter sido encontrado em um sítio de sambaqui. Ele vê essa possibilidade com bons olhos:

Artefato antropomorfoA escultura foi encontrada pelo pesquisador teuto-brasileiro Ricardo Krone (1862-1917) / Reprodução

“Eu acho essa hipótese muito possível, já que, antes da chegada dos europeus, já existiam rotas que interligavam os diversos povos da América por interesses comerciais culturais ou mesmo pelas guerras. A ideia de uma América selvagem e remota não existe; os povos tinham rotas, estradas e vias que os ligavam, inclusive os que viviam na cordilheira dos Andes com os que viviam no litoral do Brasil.”

Continua depois da publicidade

Delázari lembra que regiões onde hoje fica a Argentina também foram influenciadas pelos povos andinos. Por isso, ele acredita que a estátua pode ter chegado ao Brasil através dessas rotas, mas ressalva que tudo ainda é muito inconclusivo.

“É um artefato antigo e tudo ainda é muito incerto. Existe, sim, a possibilidade de vir de povos andinos, mas também de outros grupos, como os próprios povos do sambaqui. Existe um estudo disponível na internet que fala a respeito desse achado”, conclui.

O estudo de Ricardo Krone, com mais informações, está disponível neste site.

Continua depois da publicidade

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software