Ministério Público vai investigar eventual greve de PMs durante a Copa

Mensagens transmitidas pelo aplicativo de celular Whatsapp convocam a categoria para greve no dia 15 de junho

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16 MAI 201420h00

O Ministério Público Federal abriu procedimento para investigar a adesão de policiais militares do Rio de Janeiro à paralisação durante a Copa. Mensagens transmitidas pelo aplicativo de celular Whatsapp convocam a categoria para greve no dia 15 de junho. "Greve de militar é inadmissível. Quando se coloca a farda pela primeira vez, a primeira coisa que se aprende é que não se pode fazer greve. Ele sabe que está rompendo um dogma sagrado da instituição. A medida será a prisão imediata dos líderes da greve, assim como aconteceu em Pernambuco", afirmou o procurador Fernando Aguiar, coordenador do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial (CGEAP/RJ).

O caso é tratado pelo Ministério Público Federal porque, se houver greve, as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança Pública são mobilizadas e esses órgãos estão sujeitos ao controle externo do MPF. Aguiar informou que conversou com o comandante da Polícia Militar, Luís Castro, e que este disse considerar "improvável" a paralisação. "Ele atribuiu as mensagens a um grupo pequeno, sem organização, sem apoio das associações policiais".

Aguiar também está acompanhando o movimento de paralisação nacional marcada para 21 de maio das categorias policiais. "Manifestação podem fazer à vontade. Só não podem parar de trabalhar. A consequência é a desgraça social. Vira a lei do mais forte", afirmou o procurador.

Policiais civis fazem assembleia nesta segunda-feira para decidir se aderem à paralisação do dia 21. O sindicato da categoria, Sinpol, informou que terminou no dia 15 o prazo para o governo incluir no orçamento deste ano a incorporação da Gratificação de Delegacia Legal (GDL) no valor de R$ 850. A incorporação havia sido prometida pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

Já as associações de policiais militares informam que não há intenção de aderir à paralisação. "Se estamos negociando com o governo, não vamos nos precipitar. Vamos esperar proposta concreta. Não vamos permitir que grupos isolados puxem movimento sem ter representatividade", afirmou o presidente da Associação de Praças da PM, Vanderlei Ribeiro.