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Cotidiano

'Minha mãe se ajoelhou e pediu para não mudar de sexo', diz Nany People

A atriz optou por não se submeter a cirurgia de mudança de sexo na juventude, atendendo um pedido da mãe e não se arrepende.

Nany teve noção exata da sua sexualidade aos 20 anos. / Divulgação/Tv

Valentina (Lilia Cabral) se surpreendeu com o novo visual do químico Marcos Paulo, no capítulo de uma novela, na última sexta-feira (21). O personagem, interpretado por Nany People, apareceu todo transformado para a perua após se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo.

"Ele não fez só mudança de sexo, ele fez uma lipoescultura. A Valentina estava esperando chegar o Sinhôzinho Malta e chega a viúva Porcina", brinca Nany, que faz sua estreia em novela aos 53 anos.

"Nunca é tarde para nada, veio na hora certa, fiz uma carreira consistente, feliz no teatro e foi graças a isso que acabei chegando até aqui", vibra.

Na vida real, Nany teve noção exata da sua sexualidade aos 20 anos. "Quando me descobri transexual, não sabia nem que o nome era esse. Com 10 anos, fui jogada no psiquiatra porque eu tinha disfunção social. Eu não me encaixava porque queria ter o comportamento das meninas, mas era cobrada para ter o dos meninos", conta.

"Quando cheguei em São Paulo aos 20, descobri que o nome era esse, que era transexual, que não tinha mecanismos de comportamento que um gay tradicional teria, era muito romântica, era virgem, então a coisa era lenta comigo. Duas coisas demorei na vida: a dirigir e a dar, quando comecei também, foi ladeira abaixo [risos]", brinca.

A atriz optou por não se submeter a cirurgia de mudança de sexo na juventude, atendendo um pedido da mãe e não se arrepende.

"Quando fui levada ao Hospital das Clínicas, descobri que era transexual, fiz tratamento três anos e meio, quando foi marcada minha cirurgia, minha mãe se ajoelhou no chão e disse: 'Não faça isso'. Achei que pra mim não era viável, e a vida me mostrou que não era necessário", conta.

"Se coloca na cirurgia um resultado, uma expectativa de uma satisfação que não é real. Às vezes, a espera é melhor do que a realização em si. A vida foi me mostrando que não tinha tanta importância assim", completa.

Certa vez, ela perguntou a um ex-namorado, que foi o grande amor da sua vida, se ele achava que os dois estariam juntos se ela tivesse optado por fazer a cirurgia.

"Ele disse que não tinha nada a ver, falou: 'O que me prende a você é a tua energia, não é o objeto de desejo em si', e isso minha mãe me falou. Ela falou assim: 'Se vagina prendesse homem, seu pai não teria me traído com uma empregada analfabeta', o que para ela era um grande sopapo."

"Tomei muita água para dormir de fome. Cheguei em São Paulo com um colchão de espuma e um sonho na cabeça. Com 13 anos fui trabalhar pra embalar condimento e já dava dinheiro em casa. Em São Paulo fui bilheteira de teatro, fui camareira da dona Nicette Bruno no teatro, garçonete no café Piu-Piu, maquiadora, fui passadeira. Chegava a passar 60 camisas no fim de semana", conta a atriz, nascida em Machado (MG).

TIRANDO O PÉ DO ACELERADOR

Nany disse que foi muito bem recebida pelo elenco de "O Sétimo Guardião".

"O Marcos Paulo chega em Serro Azul de helicóptero. O primeiro núcleo que gravei foi com Tony Ramos que foi um lorde, um pai pra mim, maravilhoso, deu dicas de como aprender a contracenar com a câmera. Eles tiveram uma paciência de Jó", conta.

A atriz explica o motivo de o personagem não mudar de nome após a mudança de sexo.  "O Marcos Paulo é uma transgressora. Ele é um químico, que respeita muito a origem da palavra. Por isso, ele bate o pé no nome. Não importa a versão que ele tenha, ele será sempre o Marcos Paulo."

Uma preocupação dela em sua estreia na novela é não exagerar no tom da personagem.

"Fui gravar a chegada na casa da Valentina e de cara já tinha um jantar. Cada prato muda a atmosfera do jantar. Quando acabou agradeci a todos eles pela paciência, meu medo é ser muito teatral, ficar muito acima, tem que tirar o pé do acelerador, diminuir maquiagem."

A orientação da produção foi usar menos maquiagem, cílios postiços mais discretos, o que ela não está acostumada.

"Sou muito intensa, o bofe fala 'oi', eu já estou beijando na boca, porque a vida não aceita segunda chamada. Você levanta e não sabe como vai terminar o dia", analisa.

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