11 anos. Esta é a idade do garoto Diego Mendes, que há três anos convive com as consequências do Tumor de Wilms, um tumor renal maligno mais frequente em crianças. Um rim, o baço, um pedaço do fígado, metade do pâncreas e o pulmão esquerdo. Todos estes órgãos foram sacrificados por conta da doença. No entanto, esta não é a única luta que o pequeno guerreiro precisa enfrentar.
Internado na Santa Casa de Santos desde o último sábado, Diego aguarda o atendimento de um médico especialista. “Eles alegam que não tem médico que cuide do caso dele. Eles falam que só tem médico para leucemia. Só passam remédio para dor e tentam diminuir a febre. Meu filho vai ficar aqui até não aguentar mais”, lamenta a mãe do menino, a ajudante geral Cristiane Regina Mendes, atualmente desempregada para se dedicar ao tratamento do filho.
Segundo Cristiane, moradora do Morro São Bento, em Santos, os médicos passam pelo quarto do garoto, mas não fazem nada. “Só passa pediatra, mas eles logo falam que não podem fazer nada por que não são especialistas. Eles nem olham o prontuário dele”, reclama.
Segundo informações passadas à família, a falta de pagamento dos salários é o motivo para que não haja atendimento na Oncologia Infantil do hospital. “Uma médica comentou com a mãe na segunda feira (dia 18) que ele precisava ir para São Paulo urgente, mas não é paciente dela. Apesar de ser oncologista, ela só cuida de leucemia. Eu estou aqui (na Santa Casa) desde ontem (terça-feira) e o médico não passou”, explica Gilmara Salazar, amiga da família que acompanha o caso de Diego desde o início.
A mãe não tem condições de ir a São Paulo por conta própria e não pode pagar um médico particular. “Os médicos falam para eu encaminhá-lo para São Paulo, mas preciso da autorização de um oncologista pediátrico para isso. Aqui não tem médico para assinar a transferência”, completa.
O Diário do Litoral tentou contato com a assessoria de imprensa da Santa Casa de Santos para esclarecer o problema apontado pela mãe, mas não obteve êxito até o fechamento desta reportagem.
Histórico
Os primeiros sintomas da doença apareceram em abril de 2013. Diego apresentou dores fortes no abdômen e teve o câncer confirmado pelos médicos da Santa Casa, onde iniciou o tratamento. Desde então foram três cirurgias e muitos meses de quimioterapia. O início do tratamento foi na Santa Casa de Santos.
“Eles deram 85% de chance de cura. Ele fez ‘quimio’ por um mês e fez a primeira cirurgia. Tirou um rim e parte do fígado. Então, fez mais um ano de ‘quimio’. Seis meses depois, veio a metástase e a segunda cirurgia para a retirada do baço e metade do pâncreas. A terceira cirurgia foi para a retirada do pulmão esquerdo”, detalha Cristiane.
Os pontos da última cirurgia, realizada no dia 2 de março deste ano, ainda não foram retirados. E foi depois da última cirurgia que a situação de Diego se complicou. “O tumor se espalhou pelo pulmão e se instalou perto do coração, que está mais sensível agora. Por isso ele não pode fazer tratamentos muito agressivos logo após a cirurgia. Mas agora, ele piorou. A febre não para e ele sente muita dor no peito”, finaliza.
