Pela primeira vez, as importações superaram as exportações brasileiras e já representam 6,5% da produção mensal. / Renan Lousada/DL
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Minas Gerais registrou, em 2026, a primeira importação de tilápia desde 1997, e o movimento acendeu um sinal de alerta no setor. Somente em fevereiro, o estado recebeu 122 toneladas do peixe vindas do Vietnã, segundo dados do comércio exterior. A preocupação surge justamente em um momento de crescimento da produção local, que vem se expandindo ano após ano.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção mineira saltou de 45,5 mil toneladas em 2023 para 58,4 mil em 2024, um aumento de 28%. Com isso, Minas se consolidou como o terceiro maior produtor do país, atrás apenas de Paraná e São Paulo, respondendo por cerca de 11,7% da produção nacional.
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A preocupação surge justamente em um momento de crescimento da produção local, que vem se expandindo ano após ano. Renan Lousada/DLO cenário não é exclusivo de Minas. Em todo o Brasil, a produção de tilápia também está em alta, passando de 442 mil toneladas em 2023 para 499 mil em 2024. Ainda assim, o país importou mais de 1,3 mil toneladas de filé no período, o equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo.
Pela primeira vez, as importações superaram as exportações brasileiras e já representam 6,5% da produção mensal. Isso indica que o avanço do produto estrangeiro não está ligado à falta de oferta interna, mas sim ao preço mais competitivo.
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Especialistas apontam que a tilápia importada, principalmente do Vietnã, chega ao Brasil com valores mais baixos devido à produção em larga escala e aos custos reduzidos no país asiático.
Além disso, produtores brasileiros destacam um fator importante: a carga tributária. Enquanto a produção local paga impostos como o ICMS, o produto importado entra no estado sem a mesma cobrança, o que aumenta a diferença de preços e dificulta a concorrência.
A preocupação do setor não é apenas econômica. Renan Lousada/DLA preocupação do setor não é apenas econômica. A importação também levanta questões sanitárias, como o risco de entrada de doenças inexistentes no Brasil, a exemplo do vírus da tilápia do lago (TiLV).
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Outro ponto em discussão é a possível reclassificação da tilápia como espécie exótica invasora. Caso isso aconteça, novas regras ambientais podem aumentar custos e desestimular investimentos no setor, afetando principalmente pequenos e médios produtores.