Mesmo com sensação de insegurança, Câmaras homenageiam a polícia

Serginho Sim, de Praia Grande, e Nicolaci Fincatti, de Guarujá, valorizam o trabalho da polícia mesmo sabendo que seus municípios são considerados os mais inseguros da Região

Na última segunda-feira (19), o comerciante Vinícius Rodrigues morreu com um tiro de fuzil na cabeça, porque ficou no meio de um tiroteio entre ladrões e seguranças de um empresário na Via Expressa Sul, no Jardim Ocian, em Praia Grande. No primeiro trimestre deste ano, a Cidade teve um acréscimo de cerca de mil casos de roubos e furtos em geral, em relação ao mesmo período do ano passado. A população vive presa em casa por conta da falta de segurança.

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Não muito diferente, Guarujá é conhecida como uma das cidades mais violentas da região da Baixada Santista. Recentemente, o assassinato, com requintes de crueldade da dona de casa do bairro de Morrinhos, confundida com uma sequestradora, chocou o Brasil e, por que não dizer, o Mundo. A conhecida Pérola do Atlântico vive sob a mercê de marginais que invadem residências mesmo ocupadas, como aconteceu na Enseada, em que o bandido foi fotografado pulando o muro da residência – outro episódio que chocou o País. 

No entanto, este mês, dois vereadores: o presidente da Câmara de Praia Grande, Sergio Luiz Schiano de Souza, o Serginho Sim (PSB), e Ronald Nicolaci Fincatti (Pros – Guarujá) conseguiram instituir o inimaginável: medalhas mérito da Segurança Pública e Policial, respectivamente, a membros da Guarda Civil Municipal (GCM) e das polícias Militar e Civil.

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Honrarias foram recentes

Em Praia Grande, a solenidade de entrega ocorreu no último dia 16, a honraria foi criada pelo projeto de Decreto Legislativo nº 02/14 e em sua primeira edição, foi feita homenagens aos que se destacaram em avaliação de desempenho e por amor à causa pública.

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No evento, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), que no ano passado, por mais de uma vez, pediu ao governador Geraldo Alckimin (do mesmo partido) mais segurança para o Município, convidou os presentes a refletirem, entre outras questões, sobre o papel do Poder Público na área de segurança.

Esquecendo-se dos índices oficiais, Serginho Sim complementou o discurso do prefeito enfatizando a necessidade de se repensar as leis voltadas à contratação do menor aprendiz que, para ele, deve ser a única alternativa para minimizar a insegurança que domina a cidade.

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“Entrei na Prefeitura com 13 anos de idade, como patrulheiro, e recebia 60% do valor de um salário mínimo, o que permitia comprar coisas para mim e não me impediu de estudar. Ao longo dos anos, a lei trabalhista dificultou a contratação do menor que fica suscetível à criminalidade”.

O primeiro secretário da Câmara, vereador Carlos Eduardo Gonçalves Karan (PDT), mesmo admitindo que Praia Grande não vive seus melhores dias em termos de segurança, fez questão de enaltecer os homenageados. “Vivemos um momento difícil na questão da segurança pública. Mas, não por conta dos profissionais. Estes são merecedores de todas as homenagens, pois mesmo não recebendo salários compatíveis e sem o respaldo necessário, se empenham ao máximo para cumprir seus deveres diariamente”, destacou.

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Guarujá

Em Guarujá, apesar de informações de que a Polícia teria demorado  para socorrer a dona de casa do Morrinhos, as homenagens reconheceram o trabalho, “muitas vezes heroico, prestado pelos policiais que atuam na Cidade”.

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A solenidade ocorreu no último dia 22, às 19 horas. A iniciativa, prevista no Decreto Legislativo nº 906/2009, é realizada desde 2010 pelo Legislativo. Nicolaci Fincatti é policial militar formado pela Academia do Barro Branco.

“Trata-se de uma forma da sociedade valorizar o trabalho de quem se dedica e, às vezes, até arrisca a vida em benefício da causa pública”, resume ele, contando que, este ano, foram homenageados seis profissionais da área de segurança.

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Números mostram a realidade

Um levantamento básico e rápido realizado pelo Diário do Litoral junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo mostra que Praia Grande tem pouco a comemorar. Entre janeiro e março deste ano, foram 3.488 roubos e furtos. Em 2013, no mesmo período, foram 2.466 – um aumento de cerca de 40%.

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Em Guarujá, os números também são pouco animadores. No primeiro trimestre deste ano, foram 2.838 ocorrências nas mesmas modalidades de delito. No mesmo período do ano passado, foram 2.532 – um acréscimo de 12%.

Vale a pena ressaltar que os números são apenas dos casos que foram registrados nas delegacias dos dois municípios, não levando em conta a grande quantidade de ocorrências cujas vítimas não prestam queixas formais.

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Câmaras se defendem

A Câmara de Guarujá, por intermédio de sua Assessoria, ressalta que o evento é realizado, anualmente, desde 2010, sempre em maio, quando também é lembrado o Dia de Enfrentamento à Violência (18). O órgão entende ser importante o reconhecimento do trabalho desempenhado pelos agentes que dão bons exemplos de conduta – especialmente agora, em momentos de crise.

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Em nota oficial, a Câmara de Praia Grande revelou que a medalha foi criada para homenagear o policial, o agente de segurança, profissional que atua diariamente no combate ao crime no Município. “Estes são merecedores de todas as homenagens, pois desempenham a atividade de proteger a sociedade, mesmo sem condições para isso. Sujeitos aos riscos da profissão e aos baixos salários. Eles não são simples trabalhadores públicos, mas heróis e nada têm a ver com a atual situação da Segurança Pública no País, Estado, ou Município”, finaliza nota.

Nota da Redação

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O Diário do Litoral, bem como a grande maioria da população, têm consciência que policiais não têm culpa da insegurança generalizada que assola a região. Há inúmeras situações de policiais salvando vidas, muitas vezes arriscando a própria em favor do semelhante. Basta ver a atuação do Corpo de Bombeiros.

Também é evidente que segurança pública é uma atribuição do Estado, responsável direto pela falta de efetivo e equipamentos para que os profissionais possam ser mais eficazes em seu trabalho.

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No entanto, em “tempos de guerra”, em que o cidadão de bem se tornou refém da marginalidade, oferecer medalha para agentes de segurança é, no mínimo, uma iniciativa que merece reflexão. Como cobrar do Estado mais homens e equipamentos, se o município reconhece a eficiência dos policiais? E mais, será que é um reconhecimento ou uma forma de fazer política? Sem dúvida, é preciso pensar sobre a questão.