Propriedades de alto padrão do Guarujá chegam a ficar 'encalhadas' por até quatro anos à espera de um comprador / Governo de São Paulo/Wikimedia Commons
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O Guarujá, historicamente o refúgio predileto da alta renda paulistana, atravessa um momento de reajuste severo em seu mercado imobiliário de luxo. A combinação de fatores como a sensação de insegurança urbana, a alta nos custos de manutenção e a concorrência com novos destinos — como a Riviera de São Lourenço — criou um cenário de baixa liquidez e sobreoferta.
Hoje, propriedades de alto padrão chegam a ficar 'encalhadas' por até quatro anos à espera de um comprador.
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Um dos termômetros mais claros dessa crise é o tradicional Jardim Acapulco. Estima-se que cerca de metade das 1.500 residências do loteamento estejam disponíveis para venda.
Segundo dados da consultoria matchpoint, o tempo médio para concretizar um negócio na região varia de 36 a 48 meses, com valores finais de fechamento que ficam, em média, de 15% a 20% abaixo do pedido inicial.
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Em situações mais críticas, a redução no preço precisa chegar a 40% para que o ativo atraia interessados.
Diante desse travamento, consultorias especializadas têm adotado táticas agressivas de reposicionamento. Júlia Botelho, sócia da matchpoint, destaca que no contexto atual do Guarujá, o preço deixou de ser apenas uma referência para se tornar o principal instrumento de venda.
Recentemente, a empresa viabilizou a venda de uma mansão de 800 m² nas Astúrias, que estava parada há dois anos, por R$ 2,54 milhões, após um corte drástico no valor e uma revisão completa do público-alvo.
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Para Júlia, não se trata de desvalorizar o imóvel, mas de aceitar que o mercado mudou. A manutenção de uma propriedade deste porte exige uma estrutura pesada de segurança, equipe de apoio e impostos, o que se torna um fardo financeiro para proprietários que utilizam a casa apenas em feriados ou férias.
Outro complicador para o mercado santamarense é a ascensão da Riviera de São Lourenço, em Bertioga. O destino vizinho tem atraído o público de elite devido ao padrão construtivo homogêneo e à segurança privada mais ostensiva.
Enquanto o Guarujá tenta liquidar seu estoque, a Riviera vê seu metro quadrado atingir valores astronômicos, com lançamentos que chegam a custar R$ 70 mil por m².
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Para quem deseja vender no Guarujá hoje, a recomendação dos especialistas é clara: é necessário realinhar as expectativas. O mercado deixou de ser de valorização especulativa para se tornar um mercado de ajuste real às condições de demanda.