Mercado de soja futuro segurou preço de alimentos no atacado, diz IBGE

Os produtos alimentícios ficaram 1,00% mais caros nas fábricas no mês passado, o maior impacto positivo no índice, que avançou 0 26%

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31 MAR 201516h26

A expectativa favorável para o mercado futuro da soja contribuiu para segurar os preços de alimentos no atacado em fevereiro, segundo o pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alexandre Brandão, gerente do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta terça-feira, 31. Os produtos alimentícios ficaram 1,00% mais caros nas fábricas no mês passado, o maior impacto positivo no índice, que avançou 0 26%.

Segundo o IBGE, os farelos e outros resíduos da extração da soja tiveram queda de preços em fevereiro. Por serem produtos importantes no mercado de alimentos, o item impediu aceleração mais intensa da inflação setorial. "Não fosse essa queda de um produto importante, os preços de alimentos poderiam ter subido mais. A expectativa favorável para o mercado de soja futuro foi o que segurou", explicou Brandão.

Entre os demais alimentos, o impacto do câmbio fez com que os preços de carnes bovinas e de aves aumentassem de forma geral. Esses produtos são muito exportados, e o dólar mais caro torna vantajosa a venda para o mercado internacional. O óleo de soja também sofreu efeito do câmbio. "Mas também se observou aumento de demanda não só interna, mas principalmente externa, pois ele é usado como insumo de biocombustível no restante do mundo", disse o pesquisador do IBGE.

Segundo o IBGE, os farelos e outros resíduos da extração da soja tiveram queda de preços em fevereiro (Foto: Divulgação)

Câmbio

Já os produtos cujos preços sofrem influência do câmbio começaram o ano de 2015 pressionados no atacado. Apesar de o IPP registrar aumento de 0,28% nos dois primeiros meses do ano, menos do que em igual período de 2014 (1,96%), setores que sofrem impacto da valorização do dólar acumulam aumentos entre 3% e quase 8% de janeiro a fevereiro.

Brandão lembrou ainda que, no ano passado, a estiagem, a elevação nos preços de combustíveis e ajustes no setor de metalurgia inflavam os resultados do índice. Em janeiro deste ano, o real havia cedido 6,7% ante o real, desvalorização que persistiu em fevereiro, com queda de 6,9%. Com a divisa norte-americana mais cara, produtos cotados em dólar ficam mais caros internamente. Além disso, produtores têm maiores estímulos para exportar, o que reduz a oferta doméstica e eleva o preço.

Entre os produtos cotados em dólar estão o fumo e os aviões. No primeiro caso, a alta atingiu 7,62% em apenas dois meses. Num período mais longo, de 12 meses, a alta é de 13,84%, segundo o IPP. Já os aviões são os principais impactos positivos no grupo de outros equipamentos de transporte. Apenas em fevereiro, a categoria registrou elevação de 4,43%. A alta é de 5,82% no ano e de 14,5% em 12 meses.

"No caso dos aviões, pode ter tido também alguma variação do preço, mas os quase 7% (de desvalorização do real) explicam boa parte do aumento", disse Brandão. Outros grupos muito influenciados pelo câmbio são papel e celulose, com alta de 3 76% no ano, e calçados e artigos de couro, com avanço de 3,47% entre janeiro e fevereiro. "Esses itens são exportados diretamente, com aumento de preços e repercussão na cadeia", segundo Brandão.