Menino da Prainha Branca, em Guarujá, precisa de proteção

Pequeno K.O. perdeu a mãe e bisavó para a doença; família passa necessidade

Uma situação preocupante na Prainha Branca, em Guarujá. O pequeno K.O, uma criança de apenas seis anos, corre sério risco de ser infectado por Covid-19 e, ainda, por precisar de atenção médica diferenciada – suspensa nos últimos meses – não suportar tratamento intensivo e falecer.

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K.O já perdeu a mãe, Luana de Oliveira Lima, de 35 anos, para o coronavírus, e a bisavó, Isabel Edmunda Bento de Oliveira, 86 anos, que foi levada transportada num carrinho de mão.

A vó materna, Mariana de Oliveira, a Mariana da Prainha, de 58 anos, o marido, Wander Domingues, de 54 anos, e mais a tia da criança, Luara Oliveira dos Santos (26 anos), todos moradores do local, não possuem renda e estão impossibilitados de trabalhar por conta do risco de contágio em função da quantidade de turistas que invadem o local todos os finais de semana sem a menor fiscalização.

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“Perdi minha mãe e minha filha, mãe de K, praticamente ao mesmo tempo. Minha mãe foi carregada num carrinho de mão até a estrada para pegar uma condução até o hospital de Bertioga, onde faleceu. Minha filha também foi vítima dessa doença e me deixou o neto para cuidar. A situação aqui na Prainha é grave. Famílias inteiras, como a minha, passando necessidades. Não posso colocar meu neto e minha família em risco. Chega de mortes”, informa Mariana desesperada. Vou tentar vender coisas minhas para pagar algumas contas e comprar comida”, desabafa Mariana.

Famílias

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O caso da família de K.O não é isolado. A Prainha Branca possui cerca de 100 famílias (400 pessoas) e 60 comerciantes. Até agora, cinco pessoas – três idosos e dois jovens de 35 e 40 anos – foram vítimas fatais de Covid-19. Os moradores moram próximos e dependem do convívio social para superar a falta de estrutura urbana no verdadeiro paraíso escondido, situado na reserva ambiental da Serra do Guararú.

Prainha é parte de uma imensa área de Mata Atlântica, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

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Turistas lotam o local sem máscaras e sem fiscalização, mesmo com acessos difíceis – uma trilha pela Mata Atlântica (construída pelos moradores) de cerca de 40 minutos de caminhada, partindo da balsa Guarujá-Bertioga, e por barco, atravessando o canal que divide as cidades.

“Tem camping lotado. Estamos tentando pedir reforço às prefeituras das duas cidades (Guarujá e Bertioga). Existe uma base da polícia militar que nunca tem policial. Além da pandemia, estamos expostos às drogas e à violência todos os dias do ano”, conta uma moradora, que não suporta mais a situação.

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Ameaças

Todos estão com muito medo, pois são ameaçados quando alertam os frequentadores sobre a necessidade de proteção. O posto de saúde construído pelos moradores no local há meses não tem médico. O mais próximo fica na Praia do Perequê, cerca de 15 quilômetros e uma hora e meia de condução.

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Também só tem duas alternativas de hospitais: o Hospital Santo Amaro, localizado a 30 quilômetros e com pouca opção de transporte público, e o Hospital Municipal de Bertioga, que fica a cerca de 10 quilômetros após atravessar de balsa ou barco, levando também mais de uma hora para chegar.

Acesso

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Outro problema que não se resolve. Os moradores lutam há décadas pelo uso da uma estrada particular – único acesso viário entre a Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (conhecida como Estrada Guarujá-Bertioga). Anos atrás, surgiu a ideia de um desvio de cerca de 100 metros na estrada, garantindo rapidez no percurso às famílias, mas ela não foi adiante.

O Município chegou a firmar um termo administrativo com o proprietário, ocorrido por solicitação do Ministério Público (MP), visando liberar o acesso de veículos à praia por sua propriedade, mas o acordo nunca foi respeitado.

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Cadastro

A Secretaria de Saúde (Sesau) de Guarujá informa que o garoto não está cadastrado junto à rede e, por isso, é necessário inseri-lo. A Sesau entrará em contato com a família para verificar as necessidades da criança, e também está à disposição através do telefone: 3308 7790, ou no endereço Avenida Santos Dumont, 640, no bairro Santo Antônio, de segunda a sexta-feira das 8 às 18 horas.

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Afirma que os moradores têm a Unidade de Saúde da Família (Usafa) do Perequê de retaguarda, de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas, e uma médica quinzenalmente para realizar o atendimento à população, assim como uma técnica de enfermagem e agentes comunitários de saúde, que visitam a localidade periodicamente.

Em julho, foi feita uma ampla ação de testagem para a Covid-19 na Prainha Branca e a Guarda Civil também atua no local, em complemento às ações de Segurança Pública do Estado.

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Esclarecimento

A pedido da família, a Reportagem do Diário do Litoral esclarece que K.O. não contraiu a doença, é saudável e não precisa de nada, apenas corre risco em função da quantidade de pessoas que frequentam a praia todos os finais de semana sem proteção. Também que a família recebe duas cestas básicas mensais doadas por duas pessoas da comunidade e que a única dificuldade é a de voltar a trabalhar com tranquilidade e de forma segura.