Megaponte com quase um quilômetro de extensão promete mudar o trânsito de uma das maiores cidades do Brasil

Projeto de R$ 329 milhões entra em fase decisiva e promete acabar com gargalo histórico de mobilidade

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Desafios geológicos no solo exigiram escavações mais profundas e estenderam o prazo da obra até 2027/Divulgação

A Ponte Joinville, que promete transformar a mobilidade entre os bairros Boa Vista e Adhemar Garcia, acaba de entrar em uma fase decisiva. Nesta semana, conforme informou a prefeitura na última sexta-feira (15), teve início a concretagem das fundações da estrutura, um marco que torna o projeto visível à população.

Como funciona a concretagem

Quem executa os trabalhos é a construtora contratada pela prefeitura, que iniciou as operações pelo apoio central localizado no lado do bairro Boa Vista. Nesse processo, o concreto bombeado diretamente para o interior da escavação, forma uma base sólida de 3,5 metros de profundidade. No total, cada apoio central recebe quatro blocos de concreto, que sustentarão toda a carga da estrutura.

Essa etapa, considerada decisiva por um motivo fundamental, os apoios centrais são a base sobre a qual a ponte vai crescer horizontalmente. A partir deles, começa a empregar o chamado método de balanços sucessivos, que permitirá formar um vão livre de 160 metros sobre o rio Cachoeira, sem a necessidade de pilares no meio da água. Sem fundações sólidas, esse tipo de engenharia seria impossível.

A escala da concretagem

É importante ressaltar que a ponte é dupla, ou seja, cada apoio central conta com dois blocos. Dessa forma, cada bloco recebe 454 metros cúbicos de concreto, volume que equivaleria à carga de 57 caminhões betoneira se o material fosse transportado da forma convencional. Na prática, porém, o concreto chega por bombeamento, um processo contínuo que garante a homogeneidade da fundação.

Como cada apoio possui dois blocos, o total por apoio chega a 908 metros cúbicos. Considerando os dois apoios centrais, um no Boa Vista e outro no Adhemar Garcia, o volume de concreto apenas nas fundações centrais ultrapassa 1.800 metros cúbicos. Esse número, vale dizer, não inclui as fundações das margens.

Por que a escavação precisou ir mais fundo

A profundidade de 3,5 metros não é arbitrária. O solo onde a ponte está sendo construída exigiu escavação mais profunda do que o projeto original previa. Por essa razão, o contrato está prorrogado até outubro de 2027. Em outras palavras, as condições geológicas do terreno impuseram adaptações que consumiram tempo e recursos adicionais.

Balanços sucessivos e características da ponte

Quando os apoios centrais estiverem prontos, a Ponte Joinville começará a ganhar sua forma definitiva. A partir dos pilares verticais, peças de concreto construídas na horizontal nos dois sentidos, formam gradualmente um formato em “T”. O processo funciona da seguinte maneira, cada peça avança alguns metros, solidificando e servindo como base para a peça seguinte, até que as extremidades se encontrem no meio do vão de 160 metros.

Por fim, é fundamental destacar que a estrutura terá 980 metros de extensão em configuração dupla, com pistas separadas para cada sentido. O investimento de R$ 329 milhões, bancado integralmente pela prefeitura de Joinville, reflete a complexidade do projeto. Para a maior cidade de Santa Catarina, a ponte promete resolver um gargalo de mobilidade que afeta milhares de motoristas diariamente.