Cotidiano
Apesar de o termo parecer ter saído de um filme de máfia do nível de "O Poderoso Chefão", a lavagem de dinheiro ainda acontece nos dias de hoje
Essa prática envolve um processo de "maquiagem" financeira / Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
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Nesta quarta-feira (15), uma megaoperação contra uma organização criminosa foi deflagrada pela Polícia Federal. De acordo com as autoridades, as investigações são sobre crimes que envolvem lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão.
Apesar de o termo parecer ter saído de um filme de máfia do nível de “O Poderoso Chefão”, a lavagem de dinheiro ainda acontece nos dias de hoje. Mas a dúvida que fica é: o que exatamente é esse crime? O Diário do Litoral te explica.
Em suma, essa prática envolve um processo de “maquiagem” financeira. Ou seja, a ideia é transformar o dinheiro de origem ilícita em ativos considerados totalmente legais.
O termo vem exatamente dos Estados Unidos da América. Na década de 1920, criminosos famosos, como Al Capone, compravam lavanderias para serem usadas como “laranjas”.
Nos estabelecimentos, o dinheiro ilegal, que vinha da venda de bebidas proibidas na época, era misturado com receitas legais, vindas do faturamento das máquinas de lavar.
Desse modo, todo o lucro do crime passava a ter uma “nota fiscal” e uma origem declarada ao fisco.
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A primeira fase é chamada de colocação. É nela que acontece a entrada do dinheiro vivo nas engrenagens da economia. Para não gerar suspeitas, o montante é dividido em frações.
A segunda é justamente a etapa central do processo. Para lavar o dinheiro, é necessário aplicá-lo em empresas fantasmas e em transações internacionais.
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Por fim, o dinheiro, agora com aparência lícita, é reinvestido formalmente na economia. Ele pode retornar ao criminoso por meio de investimentos imobiliários, lucros de empresas legítimas ou até mesmo salários de consultorias fictícias.
Mesmo com muita gente pensando que a lavagem de dinheiro é um crime sem vítima, o impacto social é grande. A prática é o que permite que o crime organizado floresça; sem ela, o traficante ou o político corrupto não teriam como desfrutar do fruto do crime.
Entre as consequências, estão a concorrência desleal e a inflação imobiliária.
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No território nacional, a Lei nº 9.613/1998 é o principal mecanismo de combate a essa prática. Ela criou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), um órgão de inteligência que monitora movimentações atípicas.