Cotidiano

'Megacidade de aranhas' abriga 111 mil indivíduos e desafia regras da natureza

Espeleólogos descobriram a Caverna do Enxofre, um ambiente de escuridão absoluta e ar tóxico que abriga uma estrutura colossal

Ana Clara Durazzo

Publicado em 24/02/2026 às 11:30

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Com dimensões que o site IFLScience comparou a algo capaz de 'aprisionar uma baleia', a megateia funciona como um laboratório natural de evolução / Pixabay

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Na fronteira entre a Grécia e a Albânia, um fenômeno que parece saído de um filme de ficção científica intriga a comunidade científica. Espeleólogos descobriram a Caverna do Enxofre, um ambiente de escuridão absoluta e ar tóxico que abriga uma estrutura colossal: uma teia de aranha com mais de 100 metros quadrados.

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A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos.

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111 mil aranhas e um comportamento jamais visto

O que mais surpreendeu os biólogos, em estudo publicado na revista Subterranean Biology, não foi apenas o tamanho da teia, mas quem a construiu. A megateia é o lar de duas espécies diferentes: a Tegenaria domestica e a Prinerigone vagans.

O mistério reside no fato de que essas aranhas são solitárias por natureza. No entanto, dentro desta caverna, elas formaram uma sociedade cooperativa inédita:

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  • As Construtoras: Cerca de 69 mil aranhas maiores (Tegenaria) erguem a arquitetura principal.

  • As Inquilinas: Aproximadamente 42 mil aranhas menores aproveitam a estrutura para caçar e viver.

A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay
A estrutura é tão vasta que cobre o equivalente a meia quadra de tênis, estendendo-se por corredores estreitos onde o ar carregado de enxofre tornaria a vida impossível para a maioria dos seres vivos/ Pixabay

Adaptação ao 'Inferno' Subterrâneo

Viver em um ambiente com enxofre e sem luz forçou essas aranhas a uma evolução acelerada. Os pesquisadores identificaram que essa colônia já apresenta alterações genéticas e comportamentais significativas em comparação com suas parentes que vivem fora da caverna.

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A microbiota intestinal desses aracnídeos também mudou, mostrando uma adaptação única ao ambiente extremo. É o que a ciência chama de 'plasticidade fenotípica': a vida encontrando um caminho em condições que deveriam ser mortais.

Um ecossistema único no mundo

Com dimensões que o site IFLScience comparou a algo capaz de 'aprisionar uma baleia', a megateia funciona como um laboratório natural de evolução. O isolamento geográfico e o ar tóxico criaram um cenário onde a cooperação superou o instinto solitário das espécies.

Para os cientistas, a Caverna do Enxofre é um lembrete de que a natureza ainda guarda segredos monumentais em seus lugares mais inacessíveis.

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