Mau tempo e crise fizeram faturamento cair 40%, dizem ambulantes de São Vicente e Santos

Os feriados prolongados de Natal e Ano Novo renderam poucos dividendos aos ambulantes que comercializam pasteis, porções, lanches, sorvetes e bebidas na faixa de areia, nas praias de Santos e São Vicente

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19 JAN 201319h25

Segundo eles, o faturamento caiu 40% em relação a temporada passada em razão não só do mau tempo, com dias nublados e muita chuva, mas também da crise financeira.

Segundo o permissionário de bebidas e porções, Bruno Batalha, que trabalha na praia do Itararé, a expectativa de faturamento durante a temporada de festas de final de ano, era de até R$ 2 mil, por dia, mas a féria não tem atingido R$ 600.

“O pessoal está com pouco dinheiro esse ano e muita gente traz isopor (comida de casa). A praia fica cheia, fica muita gente nos sombreiros envolta da nossa barraca, mas ninguém compra”, afirmou a companheira de Bruno, Cláudia Santos.

O pasteleiro Edinaldo Manuel Silva afirmou que as vendas caíram 30% em relação ao ano passado. “O tempo atrapalhou. Muitos turistas foram embora no sábado sem experimentar o meu pastel”, afirmou com humor. Mas, Edinaldo não desanimou e disse que espera dobrar o faturamento até o Carnaval.

Porém, a ambulante Mercedes Regis Santos disse que a chuva atrapalhou, mas o faturamento caiu pouco. “Eu tenho esse ponto há 20 anos, então tenho muitos fregueses que compram comigo. As vendas caíram um pouco, mas não está ruim, não”, disse Mercedes que comercializa bebidas e lanches.

As vendas chegam a aumentar 30% durante a temporada na barraca de Mercedes e Alberto Machado. Em Santos, os ambulantes também contabilizam queda de 40% nas vendas. “As vendas caíram cerca de 40% nesse período de Natal e de Ano Novo, em relação as festas do ano passado”, afirmou o pasteleiro Josenildo dos Santos, que trabalha na orla santista há 15 anos.

Mas, segundo ele, não foi só o mau tempo que prejudicou seu negócio, mas a falta de eventos turísticos e musicais na orla da praia, que poderiam atrair mais turistas, mesmo com o tempo nublado. “As tendas só funcionam sexta-feira, sábado e domingo, e não tem agradado ao povo. Santos está parada. Os turistas estão indo para São Vicente, Guarujá e Praia Grande”, disse Josenildo que também monta o carro de pastel à noite, próximo a tenda do Gonzaga.

“Além disso, falta fiscalização nos ambulantes que trabalham sem licença”. O ambulante da Nestlé Joel Domingo de Souza também contabiliza 40% menos nas vendas de sorvetes nos últimos dias. “Chego a vender 200 picolés por dia. Hoje vendi só 80”.

A esperança de Joel está no feriado prolongado de Carnaval, que ele espera que seja de tempo ensolarado. Mas, Joel disse que as vendas caíram também porque “está todo mundo sem grana, não é só a chuva não”.

A ambulante que comercializa bebidas Maria da Guia disse que vendeu 30% menos nesses dias. Ela também acredita que o fraco movimento seja reflexo da crise. Para ela, o tempo nublado e com chuva afastou aqueles que ainda consumiriam durante um dia de sol na praia.

“Nessa época até o Carnaval o faturamento chega a dobrar. Minha expectativa agora é o Carnaval”, comentou Maria. O movimento também foi fraco para a ambulante de bebidas Dagmar Araújo Alves. “No dia 31, o movimento foi razoável, mas o tempo prejudicou bastante no domingo. Esse ano, o faturamento no feriado de Ano Novo foi bem menos do que no ano passado”.