O marido de Nelma vai além, informa ao MP que a esposa, enquanto responsável pela escala de fiscalização de barreiras de ônibus de turismo (2008-2010), teria cometido improbidade administrativa se favorecendo e também a seus subordinados encurtando horários de trabalho Diário do Litoral (DL) – Nelma é aposentada desde quando?
Osmar Júnior – Desde abril de 2012 por invalidez. Mas ocupa, em paralelo, o cargo de fiscal em Guarujá, no Setor de Receitas Transferidas. Confira na entrevista exclusiva.
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DL – Como o senhor descobriu tudo?
Júnior – Eu jamais imaginava que um fiscal da Prefeitura iria procurar um irmão meu, dono de uma transportadora, para extorqui-lo. A Nelma é uma das poucas fiscais do Município especialista em arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e vai para cima das empresas buscando benefícios próprios. O fiscal chegou a falar para o meu irmão que se Nelma o tivesse avisado, o tiraria do sistema. Na época, foram R$ 20 mil, divididos pelo grupo.
DL – Isso foi o suficiente para o senhor incriminá-la?
Júnior – Não. Eu achei em casa vários processos e talões de notas fiscais. Em determinados momentos, a via queimando esses papéis na churrasqueira. Quando a questionava, ela disfarçava e não me dizia o teor dos documentos. Porém, antes que todos fossem queimados, eu encontrei alguns em uma caixa e fotografei. Entre eles, o relacionado às antenas de telefonia do Guaiúba, datado de 2002. Na época, a prefeita Antonieta era vereadora e também apresentou um trabalho relacionado à questão na Câmara.
DL – Ela descobriu que o senhor fotografou?
Júnior – Sim e, a partir do momento que ela soube, começou nosso processo de separação. Eu disse a ela que se me sacaneasse, eu iria mostrar quem ela era. Ela não se intimidou e passou a fuçar meus computadores e tentar sumir com as fotos.
DL – Outros fatos chamaram sua atenção durante o tempo de casados?
Júnior – Sim, quando houve a mudança do Paço da Avenida Mário Ribeiro para o atual, alguns documentos sumiram e ela registrou boletins de ocorrência. É assim que vem sendo feito. Acordos com empresas fiscalizadas para sumir com documentos, queimados na churrasqueira de casa.
DL – Você acredita que há outros fiscais envolvidos?
Júnior – Ela (Nelma) foi chefe do setor e tinha subordinados. Num esquema desses, é impossível agir sozinho. Sei que ela manteve contato com várias empresas de travessias de balsas, de construção de embarcações, químicas, transportes e outras. Eu, inclusive, trabalhei em uma empresa em que o Jurídico a contatou e desconfiou de sua atuação, acreditando que eu estaria passando informações e sendo conivente.
DL – Houve crescimento de patrimônio?
Júnior – Sim, apesar de nosso patrimônio estar misturado. O capital lícito se misturou com o ilícito. Ela, por exemplo, possui um imóvel em Santos que não é declarado ao Imposto de Renda. Ele (imóvel) está em nome do antigo proprietário e eu tenho provas que ela paga o condomínio. O apartamento é incompatível com sua renda.
DL – O senhor acredita que há participação de alguns dos prefeitos?
Júnior – Acredito que não. Porque ela comentava que não trabalha para a Administração, mas para ela própria. Ela dizia que só fiscalizava o que lhe trazia retorno. Ela é a cabeça e tem testas de ferro. Ela nunca vai aos locais, mas, quando isso ocorre, pode ter certeza que é bastante rentável e não interessa que outros saibam.
DL – O senhor não tem remorso?
Júnior – Hoje, estou desprendido da relação emocional e posso entender o que presenciei com clareza. Ela chegou até a registrar um boletim de ocorrência falso contra mim por agressão. O exame de corpo delito foi assinado por um legista que, por sinal, foi médico dela em operações plásticas. Eu fiquei 25 dias preso, sem a mínima condição de ser ouvido. Quem conseguiu ludibriar a perícia de Santos por quase cinco anos, imagina o que ela disse na frente da juíza. As únicas ameaças que fiz são essas que estão nos documentos.