Em visita à redação do Diário do Litoral, no final da tarde de ontem, acompanhado do secretário de Estado de Esportes, Lazer e Juventude, Paulo Gustavo Maiurino, e de uma comissão de vereadores de Santos e Guarujá, o deputado federal Marcelo Squassoni (PRB) disse que o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), independente da decisão da Casa, não tem mais condições políticas de se manter no cargo.
“Infelizmente, tem muita coisa comprovada contra ele. Ou ele renuncia ou será cassado pela maioria absoluta dos parlamentares, não tenho a menor dúvida”, disse.
Squassoni também acredita que Cunha deve colaborar com as investigações por intermédio da delação premiada.
“Diante da situação que ele está, vai ser difícil ele não colaborar. Além disso, vergonha que todos os deputados estão passando com essa situação está sendo pior do que o afastamento dele. Estamos todos sendo condenados conjuntamente por ainda não tê-lo tirado da Câmara”.
Com relação a construção do anexo da Câmara, alardeado pelo deputado Beto Mansur (do mesmo partido), que custará R$ 320 milhões em plena crise econômica nacional, Squassoni é taxativo.
“Eu acho que não há necessidade (de construir o anexo). Os gabinetes são acanhados, mas uma reforma simples, seria suficiente para a Câmara receber dignamente as pessoas e fazer um bom trabalho. Ninguém precisa mais nada do que já existe lá. O dinheiro gasto poderia, por exemplo, ser devolvido ao Executivo e destinado à saúde”.
Bolsonaro
Sobre o processo disciplinar a qual o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) está sofrendo no Conselho de Ética que apura quebra de decoro parlamentar ao reverenciar o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador pela Justiça, durante a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, Squassoni também não poupou críticas.
“Eu acho que ele (Bolsonaro) passa dos limites com todo o seu radicalismo, ofendendo famílias que foram violentadas durante a Ditadura Militar. Ele podia ter ficado calado e cometeu uma estupidez. Mas tem direito de opinar e ninguém pode proibi-lo de se expressar”.
Sobre o Governo Michel Temer (PMDB), o deputado acredita que o presidente interino está no caminho certo.
“Tem buscado acertar a economia, melhorando as relações internacionais e vem mostrando que o Brasil está com outra cara. Ele não está confortável para tomar mais decisões até que se defina o processo de cassação da presidente afastada Dilma Rousseff (PT)”, disse.
Marcelo Squassoni acredita que a Operação Lava-Jato continuará até o fim das investigações, mas com mais cautela para não punir antecipadamente as pessoas. Ele também revela que as reformas da previdência e tributária deverão caminhar, mas somente a partir de 2017.
