Cotidiano
Em entrevista ao Diário, o comunicador contou detalhes sobre sua trajetória desde a infância até os dias atuais
O comunicador Marcelo Ricky faz sucesso nas redes sociais / Nair Bueno/DL
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Sob os bordões "Mamba Negra" e "Mãe Boca de Caveira", com mais de 16 mil contatos no WhatsApp, 100 mil seguidores e um alcance de 12 milhões no Instagram, o comunicador vicentino Marcelo Ricky é conhecido por divulgar acontecimentos que vão do litoral paulista ao cenário global.
Nascido no bairro do Marapé, em Santos, mudou-se para São Vicente no começo da adolescência e cresceu no México 70, onde vivia com a mãe, que trabalhava como faxineira. Foi nesse período que ele começou a demonstrar talento para a comunicação.
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Seu ingresso no Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (CAMPS) abriu as primeiras portas no mercado de trabalho. "A oportunidade que me deram me levou para a Musical, na Praça Mauá. Depois, passei pela Enterprise, onde experimentava o café dos navios. Muito chique", recorda.
"Também passei pela Drogamar, onde aplicava injeções", comenta Ricky, que guarda gratidão pelo local devido ao orgulho de uma pessoa especial: "Minha mãe ficou super feliz". Além do apoio materno, sua trajetória no CAMPS foi marcada pela amizade e respeito por Severino Jorge da Silva, que dividia seu tempo entre a Polícia Militar e o voluntariado na instituição.
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"Seu Severino era uma referência. Ele era aquele 'mestre com carinho', o cara que ficava no nosso pé para seguirmos o caminho certo e nos direcionava para o bem", afirma Ricky, sem esconder a eterna gratidão.
Embora seguisse nas funções oferecidas pelo CAMPS, uma figura específica foi responsável pela grande virada em sua trajetória: Beto Mansur. "O Beto me chamou para ser seu office boy e, posteriormente, trabalhar na Rádio Cultura", conta Ricky, que na época dava os primeiros passos na vida pública.
Sua atuação, contudo, não se limitou ao escritório e às entregas. O contato com Mansur permitiu que ele participasse de shows patrocinados pela rádio nos bairros de Santos. Um desses eventos foi crucial. "Apresentei um show da Xuxa na Vila Belmiro, cantei uma música do Ara Ketu e foi um sucesso", recorda ele, que chamou a atenção de uma poderosa empresária.
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"A Marlene Mattos me viu brincando no palco e queria que eu fosse ao Rio de Janeiro para conversarmos e participar do programa da Xuxa". Entretanto, como sua mãe foi diagnosticada com câncer e faleceu na mesma época, o convite não pôde ser aceito. "Não tinha clima", lamenta.
Nem tudo foi uma sequência de conquistas. Marcelo recorda que, pouco após sair da rádio e enfrentar o falecimento da mãe, chegou a viver na rua.
"Tinha um carro Miura e morava nele. Só que acabei perdendo o veículo; saí para resolver algo e, quando voltei, o tinham levado. Como não tinha dinheiro para retirá-lo do pátio, morei na rua por quase um mês", revela.
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Esse cenário foi revertido graças à ajuda de uma família de Praia Grande, que o acolheu. "Até hoje sou grato a Jesus, Esther e Carlos Eduardo por terem me tirado dessa situação".
Tempos depois, Ricky decidiu arriscar na televisão e integrou produções de grande alcance. "Fiz participações no Planeta Xuxa e em comerciais que ela gravava. Tive até que pintar o cabelo de loiro a pedido da Marlene", relembra. Em seguida, esteve ao lado de nomes como Silvia Poppovic e Sérgio Mallandro, além de participar do extinto Ilha Porchat na TV.
Além disso, ele chegou a participar do famoso Show de Calouros do apresentador Silvio Santos, onde ganhou um prêmio de R$ 400, e posteriormente esteve no programa da Ana Hickmann. "Foi legal, muito bom também. A visibilidade foi no Brasil todo", recorda. "Cheguei a fazer o programa Alto Astral com a Mara Maravilha, quando ela morava na Baixada Santista".
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Ricky também integrou uma gravação para o Fantástico, em um clipe com o grupo Dança de Rua, durante a Copa de 2010. "Queriam uma pessoa negra, tipo o Carlinhos Brown, e quem me chamou para este projeto foi o Ricardo Andrade com o Marcelo Cirino."
Além de se apresentar com diversos artistas, Marcelo Ricky também teve uma carreira no mundo da música como cantor e gravou um CD. "Quem me deu a primeira oportunidade foi o Raul Santana, que fez uma coletânea de vários artistas da Baixada Santista", recorda.
Depois, por intermédio de um amigo bombeiro, Luiz Aires, ele conheceu o produtor Rick Bonadio, responsável por revelar nomes como Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr. "Quem produziu tudo foi o Rick Bonadio, e teve a participação do Art Popular", relembra Ricky, que viajou por vários lugares do Brasil para divulgar o trabalho. "Fiz o circo do Sérgio Mallandro, programas de televisão, bastante coisa".
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A carreira de Marcelo Ricky na comunicação digital consolidou-se na pandemia, por meio de lives em 2020. "Comecei a divulgar coisas no Instagram porque as pessoas diziam que eu já tinha muita visibilidade", explica o comunicador, que usa seu alcance para ajudar o próximo.
Ele recorda um caso marcante: "Uma moça me enviou um vídeo dizendo que o filho estava com um tumor na perna e não conseguia atendimento. Eu postei. Três meses depois, encontrei uma senhora em uma padaria; era a mãe do rapaz, agradecendo porque ele conseguiu a operação logo após a postagem".
Atualmente, Ricky atua como colunista da revista São Paulo em Destaque e do jornal Gazeta Vicentina. "Foi com muita fé e trabalho que consegui viver do meu próprio nome, que era o que eu sempre quis". Por conta de seus trabalhos, o comunicador já venceu o prêmio "Comunicação em Destaque" e, recentemente, foi anunciado que receberá o Título de Cidadão Vicentino por sua contribuição à cidade.
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Famoso por utilizar os bordões "Mamba Negra" e "Mãe Boca de Caveira", ele explicou à reportagem a origem de cada um. "A mamba negra é uma cobra venenosa da África; utilizo o termo porque solto os 'veneninhos' das cidades, apontando o que está errado. Já a Mãe Boca de Caveira é uma personagem que inventei para deixar os malandros em pânico", explica Ricky.
"O cara roubou? Manda para mim! Eu coloco uma música de macumba e escrevo: 'Olha, a Mãe Boca de Caveira já sabe de tudo'. Eles ficam apavorados. Na verdade, é uma brincadeira estratégica para impor respeito e dar medo em quem faz o que não deve."