Cotidiano

Marcas no litoral europeu indicam fuga em massa de tartarugas há 80 milhões de anos

Sulcos em uma rocha do litoral da Itália indicam que os répteis marinhos fugiram de um terremoto no período Cretáceo

Giovanna Camiotto

Publicado em 04/02/2026 às 21:52

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Uma escalada recreativa no litoral da Itália revelou evidências de uma fuga de tartarugas marinhas / Pexels

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Uma escalada recreativa no litoral da Itália levou a uma descoberta científica inesperada: evidências de uma possível debandada de tartarugas marinhas ocorrida há cerca de 80 milhões de anos. Os vestígios foram encontrados em uma parede rochosa do Monte Cònero, com vista para o mar Adriático, e podem ter sido preservados após um terremoto submarino no período Cretáceo.

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Os alpinistas notaram centenas de sulcos na rocha e desconfiaram de sua origem ao lembrarem de achados semelhantes divulgados meses antes na mesma região. O local integra o Parque Regional do Cònero, uma área conhecida por suas formações geológicas amplamente estudadas. A partir do alerta, geólogos e paleontólogos iniciaram uma investigação detalhada do sítio.

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O estudo, publicado na revista Cretaceous Research, indica que as marcas foram deixadas por grandes répteis marinhos, provavelmente tartarugas, que pressionaram suas nadadeiras contra o fundo do mar ao tentar escapar de um evento sísmico. À época, a área hoje montanhosa era um fundo oceânico profundo, posteriormente dobrado e elevado por forças tectônicas.

Marcas preservadas em rochas do litoral europeu indicam a movimentação de tartarugas marinhas há cerca de 80 milhões de anos/Pexels
Marcas preservadas em rochas do litoral europeu indicam a movimentação de tartarugas marinhas há cerca de 80 milhões de anos/Pexels
Cientistas acreditam que os sulcos encontrados na Itália foram deixados por tartarugas fugindo após um terremoto submarino/Pexels
Cientistas acreditam que os sulcos encontrados na Itália foram deixados por tartarugas fugindo após um terremoto submarino/Pexels
As impressões foram preservadas graças a um deslizamento de sedimentos no fundo do mar durante o período Cretáceo/Pexels
As impressões foram preservadas graças a um deslizamento de sedimentos no fundo do mar durante o período Cretáceo/Pexels
A área onde as marcas foram descobertas fazia parte do fundo oceânico antes de ser elevada por movimentos tectônicos/Pexels
A área onde as marcas foram descobertas fazia parte do fundo oceânico antes de ser elevada por movimentos tectônicos/Pexels
A descoberta ajuda pesquisadores a entender o comportamento de répteis marinhos pré-históricos em eventos extremos/Pexels
A descoberta ajuda pesquisadores a entender o comportamento de répteis marinhos pré-históricos em eventos extremos/Pexels

Análises das camadas de calcário, conhecidas como Scaglia Rossa, e de microfósseis presentes na rocha reforçam a hipótese de intensa atividade sísmica. Segundo os pesquisadores, um terremoto teria provocado uma avalanche submarina de lama poucos minutos após as marcas serem feitas, selando os sulcos e impedindo que correntes e organismos marinhos os apagassem.

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Embora outros répteis marinhos, como plesiossauros e mosassauros, também existissem no período, os cientistas destacam que apenas as tartarugas teriam comportamento compatível com um deslocamento coletivo. Ainda assim, especialistas independentes pedem cautela e defendem novas análises para confirmar a autoria das marcas.

Para os autores do estudo, o achado oferece um raro registro de comportamento animal preservado em ambiente marinho profundo e abre caminho para futuras pesquisas sobre a resposta da vida pré-histórica a eventos extremos.

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