Uma escalada recreativa no litoral da Itália revelou evidências de uma fuga de tartarugas marinhas / Pexels
Continua depois da publicidade
Uma escalada recreativa no litoral da Itália levou a uma descoberta científica inesperada: evidências de uma possível debandada de tartarugas marinhas ocorrida há cerca de 80 milhões de anos. Os vestígios foram encontrados em uma parede rochosa do Monte Cònero, com vista para o mar Adriático, e podem ter sido preservados após um terremoto submarino no período Cretáceo.
Os alpinistas notaram centenas de sulcos na rocha e desconfiaram de sua origem ao lembrarem de achados semelhantes divulgados meses antes na mesma região. O local integra o Parque Regional do Cònero, uma área conhecida por suas formações geológicas amplamente estudadas. A partir do alerta, geólogos e paleontólogos iniciaram uma investigação detalhada do sítio.
Continua depois da publicidade
O estudo, publicado na revista Cretaceous Research, indica que as marcas foram deixadas por grandes répteis marinhos, provavelmente tartarugas, que pressionaram suas nadadeiras contra o fundo do mar ao tentar escapar de um evento sísmico. À época, a área hoje montanhosa era um fundo oceânico profundo, posteriormente dobrado e elevado por forças tectônicas.
Análises das camadas de calcário, conhecidas como Scaglia Rossa, e de microfósseis presentes na rocha reforçam a hipótese de intensa atividade sísmica. Segundo os pesquisadores, um terremoto teria provocado uma avalanche submarina de lama poucos minutos após as marcas serem feitas, selando os sulcos e impedindo que correntes e organismos marinhos os apagassem.
Continua depois da publicidade
Embora outros répteis marinhos, como plesiossauros e mosassauros, também existissem no período, os cientistas destacam que apenas as tartarugas teriam comportamento compatível com um deslocamento coletivo. Ainda assim, especialistas independentes pedem cautela e defendem novas análises para confirmar a autoria das marcas.
Para os autores do estudo, o achado oferece um raro registro de comportamento animal preservado em ambiente marinho profundo e abre caminho para futuras pesquisas sobre a resposta da vida pré-histórica a eventos extremos.