Cotidiano

Marca genética de Chernobyl reaparece quase 40 anos após tragédia

Mesmo anos depois do acidente, parte dos danos permaneceu no material genético e foi repassada às novas gerações

Agência Diário

Publicado em 22/02/2026 às 08:46

Atualizado em 22/02/2026 às 08:47

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Cientistas encontram sinais de danos no DNA herdados após desastre de 1986 / PxHere

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Décadas após a explosão do reator na usina de Chernobyl, cientistas descobriram que as consequências podem ter ido além dos sobreviventes. Um novo estudo mostra que alterações genéticas provocadas pela radiação chegaram também aos filhos dessas pessoas.

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A conclusão encerra uma incerteza antiga na ciência. Durante anos, especialistas questionaram se a exposição intensa poderia afetar gerações futuras. Agora, as evidências indicam que a transmissão ocorreu, embora com impacto clínico aparentemente limitado.

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O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports e identificou um tipo específico de alteração genética associado a danos prévios no DNA causados por radiação ionizante.

Galeria: Chernobyl pode ser visitada por humanos

É possível visitar a Zona de Exclusão de Chernobyl, mas apenas por meio de agências autorizadas e com controle rigoroso do governo ucraniano / Pixabay
É possível visitar a Zona de Exclusão de Chernobyl, mas apenas por meio de agências autorizadas e com controle rigoroso do governo ucraniano / Pixabay
O acesso exige agendamento prévio, envio de passaporte e monitoramento de radiação na entrada e na saída / Pixabay
O acesso exige agendamento prévio, envio de passaporte e monitoramento de radiação na entrada e na saída / Pixabay
A maioria dos tours parte de Kiev e inclui a cidade fantasma de Pripyat / Pixabay
A maioria dos tours parte de Kiev e inclui a cidade fantasma de Pripyat / Pixabay
Visitantes também passam por áreas próximas ao reator 4, hoje protegido pelo novo confinamento de segurança / Pixabay
Visitantes também passam por áreas próximas ao reator 4, hoje protegido pelo novo confinamento de segurança / Pixabay
Apesar de considerada segura para visitas curtas e guiadas, regiões como a Floresta Vermelha permanecem proibidas devido à alta radiação / Pixabay
Apesar de considerada segura para visitas curtas e guiadas, regiões como a Floresta Vermelha permanecem proibidas devido à alta radiação / Pixabay
O chamado "turismo atômico" oferece uma experiência histórica impactante, mas foi suspenso ou severamente restrito após a invasão russa na Ucrânia / Pixabay
O chamado "turismo atômico" oferece uma experiência histórica impactante, mas foi suspenso ou severamente restrito após a invasão russa na Ucrânia / Pixabay

Uma marca que atravessa gerações

Diferentemente de pesquisas anteriores, os cientistas buscaram padrões raros de mutação que surgem quando o DNA sofre rupturas e é reconstruído de maneira imperfeita. Esses agrupamentos funcionam como pistas biológicas de exposição a agentes extremos.

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Pesquisadores da Universidade de Bonn relataram um aumento expressivo dessas alterações nos descendentes de indivíduos irradiados. Os dados também sugerem que quanto maior a dose recebida pelos pais, maior a quantidade de mutações observadas nos filhos.

Isso indica que a radiação afetou células germinativas, responsáveis pela reprodução. Assim, mesmo anos depois do acidente, parte dos danos permaneceu no material genético e foi repassada às novas gerações sem que os descendentes tivessem contato direto com o evento.

Veja também: Encontrada lebre gigante que pode ser mutação de Chernobyl.

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Quem foram os avaliados

Para chegar às conclusões, a equipe analisou o genoma completo de centenas de participantes. Entre eles estavam filhos de trabalhadores que atuaram na contenção do desastre e de moradores da cidade de Pripyat, evacuada após a contaminação.

Também participaram descendentes de operadores de radar alemães potencialmente expostos à radiação dispersa, além de um grande grupo sem histórico de exposição usado como referência. Essa comparação permitiu identificar diferenças consistentes entre os grupos.

Embora as mutações fossem mais frequentes entre os descendentes de pessoas expostas, os cientistas destacam que a probabilidade de doenças relacionadas a essas alterações é considerada muito baixa, o que traz algum alívio diante da descoberta.

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Como a radiação afetou o organismo

A explosão liberou enormes quantidades de material radioativo na atmosfera. No corpo humano, esse tipo de radiação pode gerar moléculas instáveis que danificam células e quebram cadeias de DNA, provocando alterações difíceis de reparar corretamente.

Quando esses danos atingem células reprodutivas masculinas, podem permanecer no material genético transmitido aos filhos. Foi exatamente esse padrão de mutações agrupadas que os pesquisadores conseguiram identificar décadas após o acidente nuclear.

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Os autores ressaltam limitações importantes, como a necessidade de estimar níveis de exposição com base em registros antigos e a participação voluntária dos envolvidos. Ainda assim, os resultados reforçam que a radiação pode deixar efeitos discretos, porém duradouros.

Hoje, a região ao redor da usina continua marcada pelo abandono e pela memória do desastre. Ao mesmo tempo, a ciência revela que algumas consequências não ficaram presas ao passado e seguem presentes de forma invisível nas gerações seguintes.
 

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