Uma pesquisa internacional encontrou genes ligados à resistência a antibióticos em praticamente todos os oceanos do planeta. A descoberta acendeu um alerta entre cientistas de vários países.
Esses elementos genéticos podem ajudar bactérias a sobreviver aos medicamentos usados atualmente. Com isso, elas podem se tornar mais difíceis de combater.
Os pesquisadores analisaram milhares de amostras de água coletadas em diferentes regiões do mundo durante vários anos. Os resultados surpreenderam a equipe.
Os cientistas encontraram os genes resistentes não apenas em áreas costeiras e próximas de grandes cidades. Eles também identificaram essas estruturas genéticas em regiões remotas, longe da ação humana direta.
Segundo os pesquisadores, os oceanos recebem diariamente resíduos de esgoto, atividades industriais, agricultura e do uso excessivo de antibióticos. Depois, as correntes marítimas carregam esses contaminantes por milhares de quilômetros.
Esse processo espalha os genes resistentes entre diferentes ecossistemas marinhos. Assim, regiões muito distantes podem compartilhar o mesmo problema.
A equipe também encontrou outros sinais da poluição causada pelo ser humano. Entre eles estão microplásticos, substâncias químicas persistentes e vestígios de material genético de vírus que circularam recentemente pelo planeta.
Para os especialistas, a descoberta reforça a ligação direta entre a saúde dos oceanos e a saúde humana. Os mares transportam substâncias e microrganismos entre continentes e transformam problemas locais em desafios globais.
Por isso, os cientistas defendem um monitoramento mais rigoroso dos oceanos. Eles também cobram medidas para reduzir a poluição e frear o avanço da resistência antimicrobiana.
Atualmente, especialistas consideram a resistência aos antibióticos uma das maiores ameaças à saúde pública mundial. E os oceanos podem desempenhar um papel importante nessa disseminação silenciosa.
